O trânsito é uma das instâncias que considero mais igualitárias, mais democráticas em nossa sociedade. No trânsito somos absolutamente iguais, exatamente porque sujeitos às mesmas regras e às mesmas penalidades, caso venhamos a burlá-las. Se você tem um Corcel II 80, como é o meu caso, e está numa rua preferencial, aquele sujeito que vem com uma Ferrari numa rua afluente tem de parar pra você e respeitar o seu direito de seguir. Se você se envolve num acidente, esteja você num carro modelo 2007 ou 79, suas responsabilidades são exatamente as mesmas e - caso tenha sido o causador do acidente por imprudência ou incompetência ao volante - vai responder por isso mediante regras claras. Ah! O trânsito é o supra-sumo da democracia, o paladino da obediência às leis. Mas em Franca parece que a coisa não é tão cor-de-rosa assim. Pelo contrário, dirigir em nossa cidade está se tornando cada dia mais um exercício de tolerância e de fechar os olhos ao absurdo. Em apenas alguns minutos de trajeto dentro da cidade, quando vou para o trabalho ou dele retorno, tenho sido a testemunha atônita de um sem-número de irregularidades que me estressam e estão fazendo de mim um motorista cada dia mais inseguro. Vamos aos exemplos: eu vinha tranqüilamente pela Rodovia Cândido Portinari, entrei pela alça de acesso da Vila São Sebastião e, lá de baixo observei que o semáforo do pontilhão sinalizou verde para minha passagem. Quando alcancei o ponto do sinaleiro, a uns quarenta por hora, um jovem motoqueiro simplesmente cortou minha dianteira, deu um `galeio` na sua moto e escapou por um triz de morrer. Ao ouvir minha buzina nervosa e assustada ele (aí, sim) parou, virou-se e me dirigiu uma dúzia de xingamentos recheados com alguns gestos obscenos, como se ele estivesse absolutamente certo em passar o sinal vermelho e eu o estivesse perturbando com minha buzina. Episódio igualmente insólito foi percorrer várias ruas do Jardim Dermínio atrás de um carro de auto-escola cuja motorista, uma moça de uns vinte e poucos anos, não usava cinto de segurança e virou umas três esquinas sem usar a seta uma só vez. Um carro de auto-escola, gente!!! Onde é que nós estamos!? Não vou citar mais exemplos porque eu gastaria um dia inteiro. O fato é que as ruas de Franca parecem uma terra de ninguém. Tem gente que se comporta em nosso trânsito como se estivesse no quintal de casa, dirigindo só para si, sem placas de sinalização ou semáforos. Para piorar, uma infinidade de pedestres que preferem circular pelo leito da rua deixando de lado as calçadas e reduzindo ainda mais a dirigibilidade dos motoristas. Ciclistas na contra-mão, mulheres com seus carrinhos de bebê no meio da via, motoristas ultrapassando pela direita ou numa velocidade incompatível, etc. Alguém precisa fazer alguma coisa. Já está mais do que provado mediante inúmeras estatísticas que a maior porcentagem de mortes no trânsito, nas cidades ou rodovias ocorre por pura e simples imprudência. Resta-me fazer um apelo aos "motoristas-bomba": se vocês não têm medo de morrer, se não se importam com suas vidas ou com as vidas de seus caronas, respeitem a minha vida pelo menos, e a de meus pais e de minha noiva, que sempre estão comigo em meu Corcel II 80.
Ronaldo Pereira da Silva
é comerciário
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.