‘Meu tempo acabou’, diz Onofre Trajano


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Onofre Trajano diz que não tem reclamações da Santa Casa, só dos políticos que “poderiam ter feito mais”
Onofre Trajano diz que não tem reclamações da Santa Casa, só dos políticos que “poderiam ter feito mais”
A era da Santa Casa sob o comando de Onofre de Paula Trajano terminará em 13 de fevereiro. Nesta data, haverá assembléia para que os 302 associados e colaboradores elejam o novo presidente da fundação, além da diretoria e do conselho fiscal. Trajano disse que, a partir de então, será “mais um colaborador” e que não há chances de continuar à frente da instituição. “Gosto muito da Santa Casa e, apesar das pedras que carreguei, valeu a experiência. Mas meu tempo acabou”, disse. Trajano está, desde sexta-feira, em férias. Viajou para São Paulo, onde acompanhou a posse do governador José Serra (PSDB), no dia primeiro, e deverá ficar lá por mais alguns dias. “Preciso descansar um pouquinho. Desde que assumi a Provedoria, em 2003, não parei mais. Mas é uma paradinha rápida”, disse o empresário, que reassumirá suas funções na Santa Casa já na segunda-feira. A gestão de Trajano começou em fevereiro de 2004, quando foi nomeado, pelo ex-prefeito Gilmar Dominici (PT), interventor do hospital no lugar de Sérgio Ferro. À época, a Santa Casa era alvo de intervenção do prefeito e da Justiça, após denúncias de irregularidades e de uma dívida gigante (segundo Trajano, em torno de R$ 20 milhões). Em 2005, foi eleito presidente da fundação para um mandato de dois anos, comandando também os hospitais do Câncer e do Coração. Neste período, Trajano disse que sua principal conquista se deu na obtenção de recursos. Afirmou ter conseguido repasses e subvenções suficientes para conter um avanço descontrolado da dívida, que hoje é de aproximadamente R$ 22 milhões. “Olha, se não fossem amizades que tenho no governo, conhecimento particular com pessoas influentes, a Santa Casa deveria hoje mais de R$ 30 milhões”, afirma. A melhoria no atendimento e reformas na estrutura física do hospital também foram apontados como avanços de sua administração. “Fazemos milhares de atendimentos por mês, de todos os tipos, com margem mínima de reclamações. Além disso, o hospital é bonito, limpo, tem comida de ótima qualidade e não fica a dever nada para os demais”, disse. Trajano disse que não teve frustrações em relação à Santa Casa em si, mas que poderia ter feito melhor trabalho se contasse com apoio mais efetivo da classe política. “Ainda tem muito o que se fazer por lá e acho que poderíamos ter feito bem mais com uma ajuda mais constante de deputados e, principalmente, dos prefeitos da região. Mas valeu”, finalizou, emocionado.

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