Os nomes dos virtuais candidatos a assumir a presidência da Fundação Civil Casa de Misericórdia de Franca são guardados sob total sigilo. Na instituição, ninguém os divulga. O que é fato e notório é que o novo dirigente não terá vida fácil.
Primeiramente, porque terá de tentar conter o avanço da dívida, hoje estimada em R$ 22 milhões. Depois, terá de contornar uma relação conturbada com prefeitos dos 22 municípios atendidos na região (inclusive Franca). Tudo isso, vale destacar, para exercer uma função não remunerada.
A primeira grande decisão de peso do novo presidente terá de ser tomada logo nos primeiros dias de mandato. O atual presidente, Onofre de Paula Trajano, disse que cortará 17 mil atendimentos mensais a partir de fevereiro se as cidades atendidas pela Santa Casa na região não repassarem R$ 800 mil mensais para cobrir a diferença da tabela SUS com o preço real dos procedimentos.
Em dezembro, foi realizada uma reunião entre os dirigentes da fundação, os prefeitos e o Ministério Público para anunciar os cortes. Aparentemente, as ameaças não surtiram efeito e somente cinco dos 22 prefeitos prometeram remeter o dinheiro. Franca, inclusive, a quem foi destinado um repasse de R$ 596 mil, já se posicionou contrária à idéia. Para Trajano, seu substituto, dificilmente, tomará uma decisão diferente da dele, de cortar atendimentos. “Ninguém quer fazer isso, mas não tem jeito. Sem o recurso suficiente, a Santa Casa não sobreviverá. E não é função minha, ou de quem virá para o meu lugar, correr atrás de dinheiro, mas sim dos políticos locais.” A eleição está marcada para 13 de fevereiro e 302 associados da fundação poderão votar.
Se não houver candidatos, uma nova data será marcada.
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