Calçadas do Aeroporto viram bazar


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Populares observam os produtos expostos no bazar ao ar livre, na Avenida César Martins Pirajá: roupas, calçados e acessórios usados a preços módicos
Populares observam os produtos expostos no bazar ao ar livre, na Avenida César Martins Pirajá: roupas, calçados e acessórios usados a preços módicos
A Avenida César Martins Pirajá, no Jardim Aeroporto, é transformada num mercadão de roupas e calçados usados todos os fins de semana. As calçadas ficam tomadas pelas mercadorias expostas em varais improvisados nas árvores, por araras lotadas de calças, shorts, vestidos e camisas e as sandálias, sapatos, tênis e botas espalhados pelo chão ou sobre caixas. São vários bazares pela via. Pelo menos um deles é beneficente e destina parte dos lucros à compra de cestas básicas. Outros pontos de venda são o meio de sobrevivência de moradores do bairro. Todo sábado e domingo, a artesã Elisângela Venâncio, 26, e cinco amigos espalham cerca de 500 peças de roupas e sapatos na calçada da esquina da avenida com a Rua Carlos Maranha. Voluntários, trabalham juntos há cinco anos vendendo mercadorias usadas para comprar alimentos para pessoas carentes. No começo, levavam o bazar para praças da região, mas descobriram que negociar na avenida era mais rentável e transferiram os negócios de endereço. “A avenida é movimentada e por as roupas estarem na calçada, muita gente pára e compra.” Irrisórios, os preços também motivam os negócios. Calças jeans saem por R$ 2 e são as peças mais caras. O valor atrativo incentiva compras para revenda. “As próprias comerciantes da avenida compram da gente e revendem mais caro.” Com as vendas feitas das 8 horas ao meio-dia, o grupo consegue R$ 300 por fim de semana. Do total, destinam 60% para comprar cestas básicas ou pagar contas de água e luz para pessoas com dificuldades financeiras. Os outros 40% ficam para os voluntários, que gastam com combustível para buscar as doações de vestimentas e sapatos usados feitas pelos familiares e conhecidos e levá-las até o ponto de venda. “É bom ajudar. Faz bem”, disse Elisângela, que guarda boa parte das 500 peças que têm na sua casa. A vendedora Doraci Quirino, 47, comercializa na Avenida César Martins Pirajá para ajudar a sustentar a família. Ela transporta as mercadorias em um carrinho de mão e trabalha aos sábados das 9 às 17 horas e domingos entre 9 e 12 horas. “Eu e uma amiga fomos as primeiras a vender coisas na avenida. Não tenho dinheiro para alugar um cômodo e a calçada foi a alternativa.” Há três anos no local, sente hoje a concorrência no espaço. “No começo vendia melhor. Hoje muitos comerciantes despejam as mercadoria para vender ali.” PODE? A lei proíbe a comercialização nas calçadas, mas o chefe da Divisão de Fiscalização e Obras da Prefeitura, Air Fontanesi, disse que a Prefeitura não se opõe à prática no Aeroporto. “São só dois dias na semana. Até o momento, não recebemos reclamações. Se as vendas atrapalharem a circulação de pedestres ou gerar transtornos, poderemos coibir a venda no local.”

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