“Vou ajudar pessoas que precisam”. A frase do auxiliar de escritório Diego Antônio de Castro, 20, resume o desprendimento de um grupo de 31 pessoas de Franca e região que, no dia 6 de janeiro, deixará amigos, familiares, o conforto do lar e a possibilidade de curtir um mês de férias para evangelizar no semi-árido nordestino.
Chamados de missionários, eles integram o Projeto Igrejas Irmãs - Diocese de Franca e Diocese de Bom Jesus do Gurguéia, desenvolvido pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Pelo projeto, uma comunidade mais “rica” ajuda no trabalho de evangelização de uma comunidade mais carente. Bom Jesus do Gurguéia fica no Piauí, a 1800 quilômetros de Franca, e carece de vocações. Missas, em algumas cidades da região, acontecem uma vez ao ano.
A parceria existe desde 1980, mas só há quatro anos ganhou mais força com o envio dos leigos (fiéis voluntários da Igreja Católica). “É um sacrifício; em vez de fazer um passeio turístico em janeiro, você faz um trabalho solidário”, explicou o coordenador do projeto na Diocese de Franca, Robson Luiz Ferreira.
Diferente de um serviço assistencialista, o projeto ajuda no desenvolvimento religioso de cidades como Morro Cabeça no Tempo e Avelino Lopes, com cursos de liturgia, formação de líderes, partilha e animação, além de celebrações realizadas pelos padres e seminaristas que nos acompanham.
Os municípios têm uma população que não ultrapassa 20 mil habitantes, grande parte distribuída na zona rural. “É uma região carente, com solo arenoso e que sofre com a falta d’água”, disse Ferreira.
Para que o trabalho tenha maior alcance, os missionários voluntários são distribuídos em diversos sítios e ficam hospedados em casas de chão batido. “Somos muito bem acolhidos e para evitar de sermos um peso, levamos os próprios mantimentos, além do material de evangelização, como bíblias”.
Antes de embarcar para a viagem que dura dois dias (mais de 30 horas), os colaboradores leigos participam durante nove meses de um curso preparatório. “A pessoa precisa estar consciente do desafio que vai enfrentar e estar motivada pela fé. A experiência é muito forte. Muitas vezes você mais cresce do que ajuda”, destacou Ferreira.
Entre os voluntários que disseram sim para a missão há autônomos, empresários, sapateiros, escriturário, estudantes, um padre, que viverá na região durante um ano e cinco seminaristas. O grupo retorna no dia 28 de janeiro.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.