<p>Um caso de amor foi reatado em Franca e o fruto desse relacionamento pode deixar milhares felizes. O técnico Wantuil Rodrigues voltou a “namorar” a Francana e o que ele promete é o acesso à Série A-2 do Paulista já no próximo ano. Wantuil foi “descoberto” pelo futebol paulista no segundo semestre de 2001 pelo então presidente esmeraldino deputado estadual Gilson de Souza. </p>
<p>Ele montou o time que disputou a Copa Federação e foi a base da equipe que, no ano seguinte, esteve perto de subir para a elite do futebol no Estado. A derrota para o Marília na final é criticada até hoje. Houve boatos de facilitação de resultado, já que o time podia tomar até dois gols e seria campeão. Nem isso mudou a opinião do treinador sobre o torcedor local: sempre que pode, ele declara sua admiração pelo envolvimento da torcida com o time. Daquele elenco, foram revelados craques, como o zagueiro Wiliam, hoje no Grêmio e considerado um dos três melhores da posição no Brasileirão.</p>
<p><br />Agora, quatro anos depois, Wantuil está de volta à cidade. Seu contrato irá até o fim da A-3 de 2007, mas desde já ele espera prorrogar sua estadia baseado em um projeto a médio prazo e que leve o time à A-1. </p>
<p><br />Ao Comércio da Franca, ele afirmou que pedirá pessoalmente apoio a empresários como Lauro Pimenta e Antônio Carlos Franchini, que declararam intenção de ajudar o clube no mês passado. Terça-feira, Wantuil apresentará o elenco que contratou na sede do clube. A estréia do time será dia 28, no Lanchão, contra o Independente, às 11 horas. “Tenho uma dívida com o torcedor (referência ao título perdido em 2002) e espero pagá-la”. </p>
<p><strong>Comércio da Franca - Até definir sua contratação, houve outros dois contatos frustrados. Qual seu sentimento na terceira ligação?<br />Wantuil Rodrigues -</strong> Foi de realização. Eu tinha um projeto de voltar a Franca, desde aquele jogo com o Marília (derrota por 3 a 0 que tirou o título da A-2 em 2002). Para ser mais específico: contra a Portuguesa Santista (na repescagem), quando perdemos lá e ficou definido que não subiríamos para a A-1. Imaginava um plano de volta, de recuperar aquele trabalho. Não vou esquecer nunca das famílias subindo para o Lanchão, a fé naquela equipe. Isso me marcou. O homem não se faz só pelo dinheiro, se faz também pelas suas conquistas. Eu vejo na Francana um meio de me realizar profissionalmente, além de satisfazer os objetivos do time, que é chegar a A-2 e ter um projeto para subir até a A-1. </p>
<p><strong>Comércio - Você tem como plano conseguir o acesso para a A-2 já neste ano?<br />Wantuil -</strong> Tenho uma frase que aprendi: “o impossível é feito de pequenos possíveis”. Quero criar esses pequenos possíveis. Tudo será feito por etapas. Nesse momento, é viabilizar a apresentação do grupo, que agora é chamado de sonho. A equipe vai crescer dentro da competição. No dia 28 de janeiro, se eu falar que a Francana jogará o fino da bola, estarei mentindo para o torcedor. Em 2002, empatamos com o Mirassol em 2 a 2 lá, depois viemos para cá e empatamos com o Nacional em 2 a 2, fomos a São Carlos e empatamos em 1 a 1. Aí ganhamos do Atlético de Sorocaba de 3 a 1 e criamos confiança. Espero que isso se repita. </p>
<p><strong>Comércio - Para acertar salário e a equipe foram quantos encontros com a diretoria eleita na semana passada?<br />Wantuil</strong> - Foram de cinco a seis. Foram duas pessoalmente e quatro por telefone. <br /></p>
<p><strong>Comércio - Quanto você ganhará na Francana?<br />Wantuil</strong> - Isso é assunto tratado com a diretoria. Haverá um trabalho de estagiários vindo da Coréia para viabilizar a obtenção dos recursos necessários. </p>
<p><strong>Comércio - Qual as maiores dificuldades para montar um grupo vencedor?<br />Wantuil</strong> - Estamos focando em cima de uma equipe que teve bons resultados em Minas Gerais (no caso o Tombense, campeã da Segunda Divisão e que deverá emprestar seis jogadores). Além disso, estamos fazendo outras contratações como a do Jackson, ex-Ipatinga, e Jaiminho, ex-Uberaba. Por quê? Porque temos de partir de uma base, já que temos muito pouco tempo. Nosso grande objetivo é o trabalho na parte física. Só teremos dois amistosos, será pouco tempo. É preciso fazer a equipe criar identidade com a Francana. Temos de chegar no dia 28 com 40% a 50% de nossa condição e caminhar para uma melhora. Colocar um futebol com perspectiva. </p>
<p><strong>Comércio - Como será o trabalho nesta curta pré-temporada?<br />Wantuil</strong> - Tenho dito uma coisa, hoje eu estou convivendo, amanhã estou escolhendo. Os atletas que serão contratados são pessoas compromissadas, que eu tenho certeza de que não farão de Franca ‘mais seis meses da vida delas’. Elas querem fazer ‘os seis meses da vida delas’. Participei do projeto do Ipatinga no começo e hoje eles estão na Série B do Brasileiro. É um sonho que tenho ver o futebol da Francana durar de 1º de janeiro a 31 de dezembro. </p>
<p><strong>Comércio - Em 2001/2002 e a iniciação para o time de agora, quais as semelhanças e diferenças?<br />Wantuil</strong> - Naquele ano, eu sentia que o processo político prejudicou muito o trabalho. O tempo todo nós fizemos questão de mostrar que não tínhamos objetivos políticos. Eu não era PT, PFL ou PSDB. Fui convidado por um futuro candidato, que era o Gilson de Souza, mas em momento algum subi ao palanque. Jamais vou deixar de ser grato a ele, que me trouxe ao futebol paulista, mas ainda não subi ao palanque. Esse ano não vejo política no meio, vejo a Francana caminhando sozinha. Isso é importante. Essa torcida gosta do seu time. </p>
<p><strong>Comércio - A diretoria já aprovou o nome de todos os jogadores que você indicou?<br />Wantuil</strong> - Já. Estamos fazendo uma coisa bem alinhada com o presidente e com o Eurípedes (Gonçalves, diretor de esportes).</p>
<p><strong>Comércio - Como você reagirá se houver imposição de jogadores por parte de algum diretor ou empresário?<br />Wantuil</strong> - Se houver indicação, sempre é bem-vinda. O tempo é curto para fazermos experiência. Toda a diretoria está conscientizada disso. Se houver alguém indicado, vamos checar e fazer a opção se vamos colocar ou não. Houve até agora muito diálogo e acho que imposição não funciona em momento algum. </p>
<p><strong>Comércio - Você esteve aqui antes do chamado dessa diretoria, a convite da Liga Amadora de Futebol, e falou com empresários, como Lauro Pimenta e Antônio Carlos Franchini Filho, que na época prometeram ajuda. Você voltará a pedir apoio para eles?<br />Wantuil</strong> - O Lauro viajou e nós tivemos troca de e-mails todos os dias. Ele foi muito firme e disse que vai apoiar a Francana, independente do presidente. Eu poderia contar com o apoio dele, senti uma confiança. Como em 2002, acho que o Kakalo (Franchini Filho) não vai fugir, ele gosta do time. <br /></p>
<p><strong>Comércio - Que mágoa ficou da outra vez que esteve aqui e perdeu um jogo que ninguém esperava?<br />Wantuil</strong> - A derrota marca. Uma pequena parte dos torcedores desabafou (houve boatos de que alguns “entregaram” o jogo). Naquele dia eu queria xingar. Eu sentei do lado do ônibus e chorei. Mas havia mais uma esperança, com os dois jogos contra a Portuguesa Santista. Mas quando o último pênalti batido acertou na trave duas vezes, aquele momento foi triste. Os jogadores se esforçaram. O Garrincha jogou três jogos machucados, ninguém queria ficar de fora. </p>
<p><strong>Comércio - Um torcedor lhe pediu autógrafo no dia da apresentação. O que você guarda de Franca desde a época de 2002?<br />Wantuil</strong> - Há algumas coisas que marcam muito. Às vezes eu fazia caminhada perto do hotel Imperador, no Bairro Cidade Nova, e recebia o carinho do torcedor. Outra cena que me lembro eram as famílias chegando ao estádio, fazendo questão de pegar na mão da gente. O ser humano tem de ser amado, nós só sobrevivemos com amor. Isso me fez voltar aqui. </p>
<p><strong>Comércio - Desde 2002 você guarda um número de celular de Franca, mesmo sem usar. O que mais guardou?<br />Wantuil</strong> - Ficam amigos, amigas. As lembranças são muitas. Há o senhor Toninho, nosso motorista. A Ana do hotel que sempre me tratava muito bem. O próprio Gordinho, roupeiro do time, que sempre teve um carinho muito grande. A esposa dele também. Ela faz um macarrão maravilhoso que eu não posso comer mais porque estou com problemas de diabete. Essas coisas simples me marcaram para sempre. Isso não tem nada no mundo que pague. Quero fazer uma revelação: tenho uma dívida com todos aqui e espero que agora possa pagá-la.</p>
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