No último domingo do ano civil a Igreja celebra a Sagrada Família: Jesus, Maria e José. O mundo é a família de Deus, pois Jesus se encarnou em nossa realidade, experimentando o drama de todas as famílias humanas, conduzindo o seu povo para a vida em plenitude.
Os trechos da palavra de Deus proclamados nas celebrações eucarísticas são bonitos e ricos de ensinamentos para nós. “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que Javé teu Deus te dá”.
Amar, obedecer e respeitar a fonte da vida que são os pais é amar, respeitar e obedecer a Deus, origem de toda vida. Os pais reproduzem, em parte, o ser de Deus que é doação. Eles não produziram para si, mas para os outros. Os filhos, por sua vez, chegados à fase adulta da vida, são convocados a não produzir para si, mas para os outros, perpetuando a vida e amparando a vida dos pais na velhice.
O livro do Eclesiástico diz que aquele que cuida dos pais na velhice recebe o cumprimento de duas graças: suas orações são atendidas e alcança o perdão dos pecados.
A segunda leitura inicia-se mostrando a nossa identidade cristã: “Vocês são o povo santo de Deus, escolhido e amado”. A seguir, especifica o que isso significa em termos de relações sociais: “por isso, procurem revestir-se de misericórdia”. O que é essa misericórdia? Ela se traduz em bondade, humildade, mansidão, tolerância, paciência e perdão.
Em seguida a leitura nos apresenta o pensamento de São Paulo sobre os deveres fundados no amor: esposas, sejam dóceis a seus maridos; maridos, amem suas esposas e não sejam grosseiros com elas; filhos, obedeçam aos pais; pais, usem uma pedagogia capaz de encorajar e não desanimar os filhos. O apóstolo, com sabedoria, oferece instruções para toda a família sem privilegiar uns em prejuízo dos outros.
O evangelho apresenta a “maturidade de Jesus”. São Lucas apresenta as primeiras palavras de Jesus que sintetizam toda a sua atividade. Ele está no Templo, na festa da Páscoa. Jesus está ensinando os doutores. Ele enfrenta seu primeiro teste com aqueles que, mais tarde, serão seus adversários e responsáveis pela sua morte.
Maria e José pensam ter perdido o filho. Na verdade o menino não estava perdido, mas, se encontrava no lugar certo: a casa do Pai. Maria parece não entender situação e chama a atenção do seu filho expondo-lhe a sua preocupação de mãe.
Ter um filho não é possuí-lo ou aprisioná-lo na dependência, mas permitir que chegue à maturidade, desenvolvendo-se como ser humano maduro e responsável. Jesus volta para casa com seus pais; a sua atitude significa que soube respeitar as fontes da vida.
Na solenidade da Sagrada Família temos a salutar oportunidade de entender os valores da família humana, os desígnios de Deus para as famílias e a sua importância no mundo como promotora da vida.
Celebrando a solenidade da Sagrada Família temos a oportunidade de rezar pela nossa família, desejando que seja repleta de bênçãos do céu e que se assemelhe à família de Nazaré.
JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral Sé de Franca
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.