Uma sessão extraordinária relâmpago e inusitada. Por dez votos contra dois, e três ausências, os vereadores rejeitaram ontem o aumento adicional de 3,59% no IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) de 2007, proposto pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB).
Apenas Rui Engrácia (PSDB) e Jepy Pereira (PSDB), o líder de Sidnei, votaram a favor. A minioposição formada pelos vereadores do PT votou contra e, antes da votação, se absteve da discussão prevendo que a desfalcada “superbase” governista não teria os dez votos suficientes para uma aprovação. Na hora da votação, até mesmo quem já havia defendido o reajuste publicamente jogou a toalha. A rejeição mantém em 1,63% o índice de aumento do imposto para o ano que vem.
Uma conta simples fez com que Gilson Pelizaro e Silas Cuba (PT) não fizessem uma apologia ao não. Com as ausências de Luiz Carlos Fernandes (PDT), Graciela Ambrósio (PDT) e Marcelo Caleiro (PMDB), todos em viagem, e o voto contrário declarado de Marcelo Valim (PSDB), não havia possibilidade de o projeto ser aprovado. Por isso, depois de uma tímida defesa da proposta feita por Jepy, a chamada da votação foi feita.
O primeiro dos votos já decretou o sepultamento do projeto. Donizete da Farmácia (PMN), que em entrevista ao Comércio há uma semana dizia ser favorável à proposta, votou não. Assim como ele, Zezinho Cabeleireiro (PTB) também mudou de idéia. “Estive conversando com o povo e muita gente acha que não é uma coisa boa. A decisão acontece é no plenário”, justificou o petebista.
Marcelo Valim (PSDB) manteve a coerência de discursos anteriores e também votou não. Assim como ele, agiram o presidente em despedida Marcelo Mambrini (PMN) e a bancada do PSB, Mauricio Chinaglia, Joaquim Ribeiro e o líder Valter Gomes. O trio, recém-incorporado à base governista não disse amém à vontade de Sidnei. “A população já foi bastante sacrificada na administração anterior em termos de IPTU”, disse Valter, o líder do partido.
POR QUE SERÁ?
O resultado surpreendente da votação provocou reações diferentes na oposição. Para Silas Cuba (PT), não é possível saber se os vereadores realmente são contrários ao projeto. “Não tenho certeza se esse resultado foi em função de que todos perceberam que não ia passar ou se realmente os vereadores eram contra a proposta”, disse.
Gilson Pelizaro (PT) preferiu alfinetar a “superbancada” do prefeito. “A base do governo está completamente desarticulada.
Quando há um projeto polêmico, eles deixam o prefeito praticamente sozinho? A ‘hiper-superbancada’ de situação virou a minibancada de situação e a minioposição virou a inflada, a grande bancada de oposição”, disse sem conter os risos. O petista fez até uma sugestão a Sidnei Rocha. “O prefeito precisa rever seus conceitos”, disse.
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