Para manter as coleirinhas mais tempo por perto, Mauro costuma colocar música clássica na varanda. “Elas adoram e parece que ficam mais calmas. Eu não sei a explicação científica disso, mas acho que tem algum efeito”, diz. “Uma vez eu coloquei um rock para fazer um teste e elas foram embora rapidinho”, completa.
Bem alimentadas e tranqüilas, as coleirinhas formam uma paisagem que Mauro garante ser uma das coisas mais lindas que já viu. “Acho que cuidar de pássaros é um carma que tenho. Uma vez, quando estava na cadeia, um pardal entrou na cela. Fiquei olhando e pensando na liberdade dele”, diz. “É fascinante imaginar que um pequeno pássaro pode viajar sem ter que perguntar a ninguém qual direção seguir. Acho que os pássaros poderiam explicar a grande indagação da humanidade que é de onde viemos e pra onde vamos”, filosofa.
Sobre o que sente desenvolvendo esse trabalho, ele tem até mesmo dificuldades de falar, tamanha a emoção. “Quando estou angustiado ou com alguma crise existencial, gosto de observar os pássaros”, resume.
Indignado com a violência que se vê no mundo todo, principalmente com as guerras, Mauro acredita que somente quando as pessoas respeitarem os animais e se respeitarem esse cenário vai mudar. “Viver bem e em paz é muito melhor. Acho que aquela frase da Inconfidência Mineira ‘Libertas quae sera tamem. (liberdade ainda que tardia)’ está certa”.
Para quem quiser cuidar de pássaros em casa, sempre ao ar livre, Mauro dá duas dicas. A primeira é que o bebedouro dos beija-flores, tão comum em jardins e janelas de apartamentos, deve ser lavado todos os dias. “Se isso não for feito eles podem morrer, porque cria-se um fungo no recipiente que pode fechar a garganta do pássaro”.
A outra dica é não deixar a quirera (farelo de arroz) molhar, porque incha e pode fazer mal para a ave. “Todo cuidado com eles é pouco”.
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