“Não precisava ter acontecido todo este derramamento de sangue.” Desta forma, o comerciante Aparecido Maldonado Ponce, 68, proprietário do Supermercado São Paulo, expressou, na tarde de ontem, seu sentimento em relação ao assalto que vitimou sua família na noite de quinta-feira. Dois ladrões, um deles armado de revólver, invadiram a residência de Aparecido, na Cidade Nova, e agrediram a coronhadas sua mulher, a dona de casa Maria Norma Ponce, 63, e um funcionário de Aparecido que tentou socorrê-la. O caso gerou grande comoção em toda a cidade.
Aparecido, que tradicionalmente mantém seu supermercado aberto após as 22 horas, disse que conhece os riscos de trabalhar até mais tarde e que já foi assaltado outras quatro vezes, chegando a ser agredido com coronhadas nas costas, mas que jamais havia presenciado tamanha violência. “Poderiam ter feito o assalto sem toda essa maldade, essa agressão, sem derramar tanto sangue. Foi uma agressão covarde e sem necessidade. A cama e o quarto ficaram cheios de sangue”, disse, consternado.
O comerciante afirmou que, após o ataque sofrido por sua mulher, ele deverá reforçar as medidas de segurança já adotadas no supermercado e em sua casa. “Já tenho um vigilante aqui, mas vou ter que me precaver mais. Talvez contrate mais gente, instale circuito interno de televisão, mais alarmes. Nem sei o que. Mas vou ter de estudar isso sim”, disse.
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Maria Norma teve de ser hospitalizada após as agressões, que, apesar de violentas, não deixaram maiores seqüelas. Segundo Aparecido, a dona de casa passa bem e se recupera em casa. O funcionário que tentou ajudá-la também foi medicado e liberado em seguida.
O ASSALTO
Os ladrões DS, 21, e PSS, 36, invadiram a residência de Aparecido, que fica na parte de cima do supermercado, por volta de 21h30 de quinta-feira. Chegaram à casa pelo depósito do estabelecimento, após arrebentarem uma porta que interliga os dois prédios, e encontraram Maria Norma dormindo. Sem mais nem menos, passaram a agredi-la com coronhadas na cabeça, pedindo que ela lhes desse jóias e dinheiro.
Um funcionário, que percebeu a ação dos criminosos, tentou ajudar a mulher, mas também foi rendido e agredido. Ao ouvir o tumulto, outros funcionários acionaram a Polícia Militar, que conseguiu prender os bandidos, chegando a balear um deles, que corre o risco de ter um dos braços amputado. Para Aparecido, o ladrão ferido está “pagando o preço” pelo crime que cometeu. “Não te digo que desejo o mal dele, mas a vida é assim mesmo: tudo que fazemos aqui, pagamos aqui”.
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