A história de Altinópolis


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O juiz de paz altinopolense Oldemar Brondi, 85, lançou este mês o livro O Povo Que Faz a Minha Terra, focado na história da cidade de Altinópolis, onde ele nasceu e vive até os dias de hoje. A obra contém o registro documental sobre a história da cidade de Altinópolis e resgata, em 243 páginas, aspectos históricos desde o início de sua formação em meados do século 19, sua transformação de povoado em vila, em freguesia, distrito, município, sem deixar de abordar fatos da atualidade. "As informações são abrangentes. O livro aborda, inclusive, o momento em que o fazendeiro Antônio Garcia de Figueiredo doou 42 alqueires de terras para a construção da cidade", disse Brondi. Outra passagem citada por ele é o momento histórico da emancipação política da cidade, com o decreto do então presidente do Estado de São Paulo, Altino Arantes, e a posse do primeiro prefeito de Altinópolis em 1918. "O primeiro prefeito foi o capitão José Esteves Junior. Não sei dizer se ele era capitão de fato ou se havia comprado o título. Ele era português, fazendeiro e era vereador da Câmara de Batatais quando houve a emancipação e se tornou prefeito", conta o escritor, com memória ágil e invejável. Brondi escreveu o livro, o seu primeiro, em um ano e três meses. O gosto pela leitura e a curiosidade pela informação vêm desde criança, mas foi há 15 anos que surgiu o interesse em registrar seus conhecimentos nas páginas de um livro. "Comecei a tomar gosto pela pesquisa mais aprofundada sobre a história da cidade quando tinha 70 anos. Fotos e textos antigos me despertaram a atenção e passei a pesquisar mais profundamente", afirmou. As informações foram colhidas em fontes escritas, como jornais e revistas, e orais, principalmente com os amigos. "Há mais de 30 anos ouço pessoas dizendo que escreverão um livro, mas nenhum deles foi feito. Acreditei que já estava na hora de registrar os fatos". A obra foi editada pela Fundação Fabri Felipucci, uma organização sem fins lucrativos, dedicada à cultura regional, que existe desde 2000 em Brodowski. O Ministério da Cultura autorizou a captação de R$ 13.320, entre junho e dezembro deste ano, por meio de leis de incentivo fiscal, como a Lei Rouanet. Assim, o projeto teve o apoio cultural da Usina da Pedra (de Serrana), Editora COC e Prefeitura de Altinópolis. A tiragem do livro é de mil exemplares e a distribuição é gratuita. "Eu vou distribuir em escolas e bibliotecas. O próprio Ministério da Cultura nos informou sobre a obrigatoriedade do envio para diversas entidades", disse. Com o orgulho e brilho nos olhos semelhantes ao de um pai que acaba de conhecer o filho primogênito, Brondi fala também da parte estética do livro. "A capa é muito bonita. É colorida. O texto está escrito com letras bem grandes, o que torna fácil a leitura. Eu acredito que as pessoas vão gostar muito". Entre as imagens que ilustram o livro está uma galeria com as fotos de todos os prefeitos de Altinópolis. A noite de autógrafos, no início do mês, foi aguardada com ansiedade pelo novo escritor. "Fiquei tão emocionado que a minha pressão chegou a subir no início da semana", disse. Ao longo da vida, Brondi foi oficial de farmácia licenciado, "primeiro lançador" e tesoureiro da Prefeitura de Altinópolis e comissário de menores. "Trabalhei durante 23 anos como oficial de farmácia. Depois, quando um funcionário da prefeitura ficou doente, o prefeito da época, na década de 50, me convidou para `dar uma mãozinha na prefeitura por 15 dias`. Esses 15 dias viraram 37 anos", contou. Atualmente (há 60 anos) exerce a função de juiz de paz. "Eu faço o que eu gosto e sou muito feliz", sintetizou Brondi sobre a sua própria história de vida. Se depender da vontade e conhecimento de Brondi, este é apenas o primeiro de uma série de livros. "Se Deus me der vida e saúde, quero escrever outros livros. Tenho vontade de registrar fatos mais completos e detalhados. Além disso, não quero parar com as pesquisas e os estudos", afirmou o escritor.

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