Cadeia Feminina de São José abandono e superlotação


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MAU CHEIRO E CALOR INSUPORTÁVEL - 15 detentas se aglomeram em cela de 16 metros quadrados: pedido de interdição da cadeia de São José da Bela Vista depende de laudo da Vigilância Sanitária
MAU CHEIRO E CALOR INSUPORTÁVEL - 15 detentas se aglomeram em cela de 16 metros quadrados: pedido de interdição da cadeia de São José da Bela Vista depende de laudo da Vigilância Sanitária
Sarna, piolho, goteiras, umidade, pouco espaço e péssimas condições de higiene. Essas são algumas das reclamações feitas pelas presas da Cadeia Feminina de São José da Bela Vista. O local, que tem capacidade para receber 15 detentas, abriga atualmente 46. Em cada uma das três celas, amontoam-se cerca de 15 presas, que têm direito a apenas duas horas de banho de sol por dia. Os banheiros de cada "xadrez" também são utilizados como cozinha, uma vez que as louças são lavadas no local. À noite, duas presas dormem num pequeno colchão que é colocado próximo ao vaso sanitário. No verão, o calor é insuportável, e como as internas dividem colchões, o cenário é perfeito para a propagação de sarna e piolho. A água é de péssima qualidade e falta quase diariamente. As detentas tomam banho com água que armazenam em garrafas pet, pois as celas não têm chuveiros. [FOTO2] Raramente algum médico comparece ao local para fazer atendimento e, quando isso acontece, apenas três internas de cada cela são atendidas. A falta de segurança é outro problema verificado na cadeia. Os muros do local são baixos e não há grade sobre o pátio, o que permite que pessoas atirem drogas para as detentas. A possibilidade de resgate das internas também deixa temerosos os carcereiros. O prédio não é reformado há pelo menos 25 anos. O reboco das paredes das celas praticamente não existe e, quando chove, as goteiras transformam as instalações da cadeia em uma "piscina". Uma equipe da Vigilância Sanitária Estadual esteve na cadeia ontem para fazer uma vistoria e deve emitir laudo sobre a situação do local nos próximos dias. Na manhã de quarta-feira, as detentas receberam suas famílias para a última visita do ano. Como o pátio do local tem capacidade para pouco mais de 50 pessoas, os carcereiros organizaram um revezamento para que todas as internas pudessem encontrar seus parentes. A dona de casa Rosemeire Ribeiro Cardoso estava indignada com o pouco tempo em que pôde ficar com sua irmã, que está presa por tráfico de drogas. "A revista é demorada e acabei ficando pouco tempo com minha irmã, porque tem gente lá fora esperando para entrar". A aposentada Maria dos Anjos Rocha, após visitar sua filha, também reclamou das precárias condições da cadeia. "Já encontraram ratos, cobras e escorpiões dentro das celas. Além disso, o mau cheiro é insuportável. Elas têm que pagar pelo que fizeram, mas nem um animal vive assim".

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