A proposta de negociação salarial da principal categoria de trabalhadores da cidade foi oficializada ontem. O Sindicato dos Sapateiros protocolou a pauta de reivindicações no Sindifran (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca). Nela, entre outras coisas, solicitações de um piso salarial de R$ 570 -hoje o menor salário da categoria é de R$ 460 -, reposição de perdas salariais que ficam entre 3,5% e 5% e um aumento real de 10%.
Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sapateiros, diz que a remuneração da categoria vem ficando defasada em relação ao salário mínimo. “O nosso piso sempre esteve num patamar acima do salário mínimo nacional. Hoje, essa diferença é de R$ 110. Precisamos valorizá-lo”, disse. Atualmente, cerca de 20% dos trabalhadores da categoria ganham o piso.
PLR (Participação nos Lucros e Rendimentos) de 200 horas, redução da jornada de trabalho para 40 horas e o fim das horas extras são outros itens da pauta. Os trabalhadores querem, ainda, a manutenção de conquistas como o café da manhã na fábrica e o abono escolar (com valor a definir). A solicitação de um seguro de vida que cubra acidentes de trabalho e no percurso entre a empresa e a casa do operário é uma novidade. “Esse benefício custará cerca de R$ 1,70 por trabalhador, por mês. Será bom para o empregado e para o empresário. Caso ocorram imprevistos, o patrão não terá de tirar dinheiro do bolso para custear uma indenização”, disse Paulo Afonso Ribeiro.
A primeira reunião entre os sindicatos deve ocorrer no dia 22 de janeiro, às 18 horas. O presidente do Sindicato dos Sapateiros planeja iniciar as negociações como uma audiência pública na Câmara Municipal. O encontro reuniria representantes das diretorias dos sindicatos, mas também seria aberto ao público. “Será uma espécie de diagnóstico. Está na hora do setor colocar a cara para fora”, disse, Paulo Afonso.
Jorge Félix Donadelli, presidente do Sindifran, aprova a proposta da audiência. “Não vejo inconvenientes”, disse. Ontem, Donadelli confirmou o recebimento da pauta, mas disse que ainda não sabe se os empresários se reunirão antes do dia 22 para analisá-la. “Vamos ler, é claro, estudar com carinho. É tradicional esse encontro para discussão entre a gente, mas talvez nós ouçamos os trabalhadores primeiro”.
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