A dona de casa Sônia Pereira dos Santos tem apenas 28 anos e é um exemplo de superação e amor ao próximo. Ao lado do marido e dos quatro filhos, divide o terreno onde moram no Jardim Cambuí com as cunhadas e sobrinhos. Ao todo, o local abriga 21 pessoas entre 2 e 44 anos. Cuidar de todos não é tarefa fácil, mas Sônia é esforçada e esperançosa. "Passei por momentos difíceis. Eu só chorava. Mas chegou uma hora que precisava mudar e ajudar as pessoas. Busquei forças em Deus e Nossa Senhora para correr atrás e encontrei."
Apesar das dificuldades do dia-a-dia, ela olha pelo próximo e doa um pouco do que tem. Sônia cria seis sobrinhos órfãos. Três deles perderam o pai em 2003. Ele morreu atropelado enquanto catava papelão na rua; a mãe os abandonou quando a caçula estava com seis meses de vida. A mãe dos outros três irmãos morreu de trombose há cerca de seis anos. O pai havia abandonado a mulher quando soube que estava doente; o único lugar que encontraram para ficar foi o lar de Sônia. "Só tenho a agradecer. Admiro o que minha tia faz por mim e meus irmãos", disse o lavrador Alessandro da Silva, 22, um dos sobrinhos.
Sônia diz que cuidar dos parentes é retribuir o que recebeu quando mais nova. Abandonada pela mãe aos 5 anos, foi criada com seus seis irmãos pela sua sogra. "Sei como é bom ser acolhida por alguém e faço igual." Há 23 anos, está sem notícias da mãe e não sabe sequer se ainda está viva.
Para conseguir cuidar de todos, Sônia busca formas de engordar a renda do mês. Desde 2001, cultiva uma horta em terreno da Prefeitura na frente de sua casa e complementa a receita com a venda de verduras (alface, rúcula, salsinha, cebolinha, couve, etc.). A família toda participa do negócio: ajudam a amarrar as verduras e, após a escola, saem com as carriolas cheias vendendo as hortaliças pelos bairros vizinhos do Cambuí (City Petrópolis, Jardim Luiza, Santa Teresinha e Parque do Horto). O comércio rende cerca de R$ 200 por mês. "É com esse dinheiro que pago a conta de água (R$ 30 por mês) e energia (R$ 100)." As outras únicas fontes de dinheiro são o auxílio do filho especial de Sônia (R$ 350) e o salário de uma das filhas, que conseguiu emprego num supermercado e recebe R$ 200 ao mês. "Meu marido tem problemas na cabeça e não pode trabalhar. Os outros não conseguem emprego."
Economia também é outra preocupação dela. Para poupar os recursos que têm, lava roupas na mina para evitar gastos com água e usa o fogão a lenha que o marido "trocou" por quatro dias de trabalho na carvoaria. "Não tenho condições de comprar gás. A lenha a gente ganha em marcenarias."
Os moradores dependem de ajuda para sobreviver. O endereço deles é Rua Antônio Jacinto Crispim, 2030, no Jardim Cambuí.
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