A família de Sônia Pereira dos Santos, 28, recebe doações de vários voluntários e de pessoas da Igreja São Crispim. Os colchões onde os moradores dormem, lençóis e toalhas de banho que usam, por exemplo, foram doados pela professora do filho dela. "Ela nos visitou e viu o jeito como a gente dormia, num colchão que peguei no lixo", disse Sônia. Para o almoço de Natal, conhecidos contribuíram com frangos e panetones. A ajuda, porém, é insuficiente para cuidar das 21 pessoas. "Tudo que chegar é muito bem-vindo."
As necessidades vão dos alimentos, roupas e calçados a móveis. Só de arroz, eles consomem cerca de oito quilos por dia, além de quatro litros de leite. Os 21 moradores comem diariamente arroz, feijão e verduras da horta que cultivam. "A gente come carne quando ganha. De vez em quando, faço uma mistura de carne com fubá", acrecenta.
A casa não possui mesa, cadeiras nem armário. "Seria bom um lugar para guardar as coisas direito e para comermos mais à vontade." Pensando em economia, Sônia gostaria de ganhar um fogão de quatro bocas. Ela cozinha no fogão a lenha e tem um fogão industrial, mas o consumo de gás é muito alto. "O fogão normal gasta menos, principalmente eu que preciso fazer almoço e janta para muitas pessoas."
Ontem, o jovem Roberto da Silva, 14, filho de Sônia, aproveitou a presença da reportagem para pedir os presentes de Natal: uma bola de basquete para jogar na quadra próxima à sua casa e uma bicicleta usada. A tia também disse que queria ganhar um colchão de casal, pois tem de dormir num de solteiro ao lado do marido, no chão.
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