A banda Glom é uma instituição do underground francano. São 14 anos de atividades, intercaladas com alguns períodos de hibernação. Da formação original, resta apenas o vocalista Colleti (hoje ladeado pelo guitarrista Daniel, o baixista Marcão e o baterista João Macarrão). Durante esse longo período a banda gravou duas demos, e agora chega ao primeiro disco cheio.
O trabalho, que leva o título de Oficina dos Escultores, é um petardo! De cara, o que chama atenção é o cuidado que a banda teve com a produção. Pra começar: o CD é original, prensado em Manaus, como manda o figurino. Aí, você rasga o plástico, abre a caixinha e encontra um libreto super bacana (cortesia do baterista e designer João Ângelo), com as letras, créditos e um projeto gráfico muito bom. Atitude de peito, ponto para a banda.
Ouvindo o disquinho, a sensação que se tem é de que "experiência" realmente faz a diferença. Não só pelo fato de ser uma banda com muitos anos de janela: a vivência dos músicos conta e muito para o sucesso do projeto. O entrosamento entre os integrantes é patente e o peso - bastante peso, característica da banda, especialmente nas apresentações ao vivo - é contagiante. O peso, aliás, deve-se muito à certeira produção do disco, que ficou nas mãos do guitarrista Tácio Figueiredo (irmão de outro Figueiredo, o Diego, genial guitarrista francano). A qualidade é realmente surpreendente e faz frente, em pé de igualdade, a qualquer produção do mesmo segmento.
Oficina dos Escultores é um disco de rock. Sem firulas, sem frescuras e sem superprodução. É direto, duro e coeso. Um disco sem solos de guitarra onde as influências punk e metal ficam claras e mostram que os músicos continuam fiéis ao seu background (Daniel e Macarrão eram da lendária Highmass e Marcão era da Indoor, bandas importantíssimas para o underground francano dos anos 90).
As letras espertas do vocalista Colleti são dignas de nota, com trechos inteligentes e bem sacados ("quanto mais desejo / eu menos preciso / quanto mais eu preciso / eu deixo de ser", em Pó na Engrenagem).
Um disco surpreendente, do começo ao fim, cheio de possíveis hits. A banda soube esperar e, sobretudo, coroar a sua própria história com um disco marcante. Só resta esperar que eles não demorem mais 14 anos para lançar o próximo trabalho!
Gustavo Az - Apresentador e produtor do programa Studio Eleven - Universidade FM 101,3
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