Roda de pagode, guerra de papel e giz, muita conversa, cerveja e i-pod ligado são coisas eventualmente combatidas por boa parte dos professores e patrões durante a aula e o horário de trabalho. Mas a descoberta de um grupo de cientistas canadenses pode fazer os manda-chuvas das escolas e empresas reverem seus conceitos.
A pesquisa coordenada por Adam Anderson, professor de psicologia da Universidade de Toronto, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, mostrou que o humor afeta a maneira como nosso cérebro processa as informações.
O bom humor, defende Anderson, melhora nossa habilidade de pensar lateralmente, o que ajuda muito a criatividade. Ao passo que a visão aguçada advinda do medo e da tensão e da ansiedade ajuda a concentração, o que é ótimo para quem exerce trabalhos que exigem atenção a detalhes.
“Se a atenção é como um holofote, então o bom humor amplia este holofote, enquanto um humor negativo o estreita e muito”, ilustra o autor do estudo que usou 24 universitários como cobaias. Os estudantes tiveram de realizar duas tarefas. A primeira delas exigia criatividade na associação de palavras incomuns, enquanto o segundo era um exercício visual que exigiu bastante atenção das cobaias, que deviam ignorar informações que pudessem distraí-los.
No primeiro exercício, os universitários apresentaram melhor resultado quando submetidos previamente a situação que os deixava de bom humor. No segundo exercício, o desempenho caía quando os alunos estavam “com macaca” e melhorava quando estavam de mau humor.
Para deixar a turma de bom humor, os cientistas usavam um jazz animadinho e para deixá-los “para baixo” mandavam o DJ tocar um trecho em velocidade baixa de uma composição do ucraniano Sergei Sergeyevich Prokofiev. Já para “neutralizar” o humor dos voluntários era lida uma cansativa série de estatísticas sobre o Canadá.
Assim, se conclui que antes de uma prova de matemática ou física, o bom mesmo é sossegar o facho, mas se a avaliação for de artes ou redação, relaxar e curtir uma musiquinha pode ser de grande valia. Do mesmo modo, quando se é controlador de vôo ou cirurgião, o recomendável é estar de “ovo virado”. Mas se a pessoa trabalha na área de publicidade, é autor de novela, redator do Se Liga ou coisa parecida, bom mesmo é estar de bem com a vida.
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