‘Pensei em dar minha vida para ela’


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Dirlene Cristina Galante Ferreira, Débora Ferreira e Dionísio Justino Ferreira interromperam a colheita de café na fazenda da família para falar com o Comércio: rotina inclui visitas a cada dois dias a Marcela
Dirlene Cristina Galante Ferreira, Débora Ferreira e Dionísio Justino Ferreira interromperam a colheita de café na fazenda da família para falar com o Comércio: rotina inclui visitas a cada dois dias a Marcela
“É muito triste ver minha irmã daquele jeito. Fico com muita dó. Pensei em dar minha vida para ela. Pedi: ‘Meu Deus, tira minha vida, meu cérebro e dá para a Marcela’”. Assim Dirlene Cristina Galante Ferreira, 14, define a sensação que teve ao conhecer a irmã caçula no quarto da Santa Casa de Patrocínio Paulista nos seus primeiros dias de vida. Os últimos 30 dias não têm sido nada fáceis para a adolescente, que teve que se dividir entre as provas de fim de ano e os afazeres domésticos. A casa ficou por sua conta, já que a mãe não saiu do hospital desde o nascimento de Marcela, e a irmã mais velha, Débora Ferreira, 18, agora passa o dia ajudando o pai Dionísio Justino Ferreira, 46, na plantação de café. Católica, a família entregou a situação de Marcela nas mãos de Deus. “Rezo para Deus amenizar todo tipo de sofrimento. Nos momentos que estou com minha filha no hospital, sinto que está sofrendo, parece que ela está agonizando”, disse Dionísio, um homem simples e de fala calma. Débora, é mais reservada e tenta ser forte para não chorar ao falar da irmã caçula. “Só tenho a agradecer o apoio das pessoas e que Deus faça o melhor por ela”, afirmou, com lágrimas nos olhos. As irmãs também admiram a força da mãe diante de todo o sofrimento que a família vem passando no último mês. “Apesar de não parecer, sei que ela está sofrendo. Mas ela procura não demonstrar o que sente, se faz de forte”, disse Débora. O meio encontrado por Cacilda Ferreira, 36, para se expressar foi escrever cartas, como se conversasse com Deus. Dionísio, Débora e Dirlene receberam a reportagem do Comércio na tarde de sexta-feira no sítio Palmital, localizado a 15 quilômetros da Rodovia Ronan Rocha. A família vive numa casa azul, de sete cômodos, construída na área de três alqueires e meio, onde também cria gado e cultiva frutas e café. Enquanto Cacilda passa os dias na Santa Casa com Marcela, os três se dividem entre os cuidados da residência, das plantações, dos animais e às visitas à criança dia sim, dia não. A única semelhança entre o ambiente onde a mãe está há mais 30 dias e a casa deles são as imagens de santos expostas em quadros e um pequeno altar montado no canto da sala e do quarto na Santa Casa. “A gente reza sempre”, disse o pai.

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