A temporada terminou e o Unimed/Franca tem motivos de sobra para comemorar. Há anos o time não apresentava um desempenho tão convincente. A equipe lidera o Paulista e venceu seus quatro jogos no Nacional. Ao todo foram 21 jogos disputados, quatro pelo Campeonato Nacional, e apenas uma derrota. O resultado negativo aconteceu na sexta rodada do Paulista, fora de casa, para o fraco time de São João da Boa Vista. O técnico Hélio Rubens Garcia gostou do trabalho feito e mostra confiança de que o jejum de títulos possa terminar. “Tudo isso é resultado de muita consistência e trabalho sério”, disse o técnico.
A análise dos números no ginásio do Póli é ainda mais festejada.
O time ainda não sabe o que é perder em casa. Todas as partidas disputadas em Franca foram vencidas, a maioria sem grandes dificuldades. Foram treze jogos no Póli e com exceção da estréia contra Limeira e da partida contra Assis na semana passada, o time saiu de quadra com mais de 16 pontos sobre o adversário. Contra São José, Franca conseguiu vencer com a maior diferença: 42 pontos (93 a 51). Nos jogos disputados fora de casa, o resultado não foi muito diferente. A equipe venceu o Guarujá por cinco pontos na segunda partida do torneio e a menor diferença foi de 14 pontos. O próximo jogo será no dia 11 de janeiro, em casa, contra Rio Claro. Antes, dia 5, pelo Nacional, o time enfrenta fora de casa o Londrina. Esta também é a primeira vez que o clube disputa os torneios Nacional e Estadual simultaneamente. Nos anos anteriores, o Brasileiro só começava após o término do Paulista. Nem assim o rendimento caiu. Hélio Rubens atribui aos jogadores o sucesso momentâneo.
Mas foi ele quem teve coragem de promover uma verdadeira faxina no grupo ao final do último Nacional. Atletas queridos pela torcida, como Ricardo, Edu Mineiro e Vargas, foram dispensados. Mateus e Estevam, jogador de peso e experiente, foram contratados. No meio do caminho, apareceu Derrick Lang, um norte -americano de bom nível que se encaixou rapidamente ao esquema tático do time, cujo último estrangeiro - Mike Higgins - veio em 2001.
O resultado tem sido visto em quadra. O time joga de forma uniforme e vários atletas se destacaram individualmente em quase todas as estatísticas, tanto da Federação Paulista como da Confederação Brasileira. O time é um dos mais fortes e começa a merecer o apelido de “imbatível”.
A confiança é tamanha que os dirigentes não medem esforços. A equipe, a mais tradicional do País na modalidade (é a primeira do ranking e a tem mais títulos conquistados), voltará a disputar uma competição internacional: é uma das três representantes do Brasil na Liga Sul-Americana. E como se não bastasse, o time, com apoio de Antônio Chakmati, presidente da Federação Paulista, conseguiu sediar um dos grupos da competição. O torneio será nos dias 2, 3 e 4 de março, no Póli.
Comércio da Franca - O Unimed/Franca disputou 21 jogos e venceu 20. É o ano do time ser campeão?
Hélio Rubens Garcia - Isso é muito difícil de responder. A temporada está apenas no início, o time vem num processo de crescimento, estamos liderando, mas sabemos que têm pelo mais umas cinco ou seis equipes nas mesmas condições. Nós nos orgulhamos de sermos uma dessas equipes que estão cotadas para decidir o título. Mas humildemente vamos lutar, porque falta muita coisa pela frente.
Comércio - Em qual torneio será mais fácil acabar com o jejum de títulos?
Hélio - Os três campeonatos que vamos estar envolvidos são de muito bom nível técnico e inclusive com equipes participando com a gente dos três. Por isso é difícil prever. Dos três, um não começou ainda, a Liga Sul-Americana, o Nacional está no primeiro turno, o Estadual já está no segundo turno, então eu vejo por tudo que já aconteceu até agora e por estar no segundo turno, no Campeonato Paulista a gente está, teoricamente, com mais possibilidades. Mas eu digo teoricamente, porque depois começam os playoffs e tudo volta à estaca zero.
Comércio - O Paulista está com um nível mais fraco?
Hélio - Não. Acho que não. Todas as equipes se reforçaram, os próprios jogos estão mostrando que as diferenças são pequenas. Há um bom nível técnico.
Comércio - E o Brasileiro? A briga com a CBB não fez o nível despencar?
Hélio - Não tem mais briga. Os clubes se uniram e têm autonomia para decidir sobre todo e qualquer contrato. A CBB entendeu isso, aceitou isso. Muitas equipes não quiseram se inscrever, mas é uma nova fase e essas equipes que estão participando são realmente as melhores equipes do Brasil e o Brasileiro vai ser um ótimo campeonato.
Comércio - Por que Franca tem tanto atleta se destacando individualmente?
Hélio - Acho que é por causa da consciência coletiva que o time tem. Quanto mais coletividade, a individualidade surge com muito mais consistência, sem precipitação, sem improviso. Tudo dentro de um planejamento.
Comércio - Quanto o clube gastará para realizar os jogos da Liga em Franca?
Hélio - Não sei te informar, mas eu calculo que para receber três delegações, com todas as despesas, com transporte interno, taxas de arbitragem, diretores da Confederação Sul-Americana, ficaria em torno de R$ 80 mil.
Comércio - Qual a importância da Liga ser disputada em Franca?
Hélio - Acho que Franca assume novamente as competições internacionais representando a cidade, o Estado e o País. Está reavivando realmente, em função desse projeto que vem sendo desenvolvido a dois anos e pela tradição tão bonita que nosso basquete tem e pelo qual é reconhecido até fora do País.
Comércio - No começo da temporada houve uma mudança drástica no plantel. Muitos jogadores foram trocados. Foi essencial para melhorar o rendimento do time nesta temporada?
Hélio - É normal quando termina a temporada a gente fazer uma reestruturação. Com todo o reconhecimento aos que prestaram serviço nos anos anteriores, mas para essa temporada o ideal seria esse plantel, pois ainda falta pelo menos mais um jogador.
Comércio - Ricardo, Edu Mineiro e Vargas não têm lugar nesta equipe? E o Demétrius?
Hélio - Nessa estrutura de sete jogadores, esses que nós escolhemos tiveram prioridade, pelo nível técnico, por tudo que avaliamos deles. Acho que esses que você citou são jogadores que têm espaço em outros clubes, o Ricardo, por exemplo, é um jogador que tem de jogar em um clube onde ele tenha muito mais espaço, mais tempo de jogo para se afirmar. O Vargas e o Edu, assim como o Fabião, foram jogadores que prestaram um ótimo serviço para nós naquele período, mas achamos que o ideal para a nossa necessidade seriam esses jogadores que estão aí. O Demétrius estava cotado para ficar, ele que preferiu ir para Rio Claro.
Comércio - Qual o segredo para manter a boa forma e o alto rendimento mesmo com o grande número de jogos?
Hélio - Acho que é o compromisso de todos em função do planejamento apresentado e de um relacionamento altamente profissional, sério, de comprometimento mesmo. Os jogadores vêm demonstrando essa motivação, essa personalidade no sentido de trabalhar para conseguir aquilo que foi colocado como meta.
Comércio - O ex-treinador Daniel Wattfy disse uma vez que preferia jogar fora de Franca. Você concorda?
Hélio - Adoro jogar na minha cidade, do lado da nossa torcida, que é a razão de ser do nosso trabalho. Na realidade eu tenho uma preferência sim: jogar em Franca. E atuar fora é a missão que nós temos, de prestar um serviço ao basquete.
Comércio - Você gostou do novo uniforme reserva do Unimed/Franca?
Hélio - Gostei muito. A cor verde tem muita tradição na nossa cidade. Nós já tivemos a cor verde na época da Francana, do Amazonas. E nós não abandonamos as cores do clube, nós adicionamos a cor verde. Mas isso é coisa que a diretoria e os patrocinadores definem.
Comércio - Quer ser campeão este ano?
Hélio - Claro, nosso objetivo é esse. Nossa meta é ficar entre os melhores e nosso objetivo é a disputa e a conquista de títulos.
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