Há uma razoável incidência de suicídios, dos quais tomo conhecimento quando me chegam às mãos inquéritos policiais instaurados para apurá-los. Suicídio não é crime, mas se instaura inquérito policial porque em princípio pode não estar tão evidente a causa da morte, e porque o induzimento, a instigação ou o auxílio ao suicídio configuram crime se resulta a morte da vítima ou se ela sofre lesões corporais de natureza grave (art. 122 do Código Penal).
O induzimento ocorre quando alguém incute no outro a idéia suicida que este não tinha; a instigação, quando estimula, reforça a intenção suicida já existente; o auxílio fica caracterizado na ajuda material ao suicida, como, por exemplo, emprestar-lhe um revólver, fornecer-lhe veneno. O que me tem chamado a atenção é o número de jovens e adolescentes que morrem por suicídio. Vários são os motivos que levam a pessoa a dar cabo da própria vida. Entre os jovens, porém, percebem-se duas causas: frustração amorosa e insatisfação consigo mesmo. O término de um namoro pela pessoa amada por vezes deixa o jovem em estado de tamanha depressão, de sofrimento, que ele não vê mais sentido na vida, e por isso resolve suicidar-se. Também a frustração consigo mesmo, quando se sente incapaz de enfrentar os problemas do dia-a-dia com naturalidade, não consegue superar certas dificuldades, acaba levando-o a abrir mão da existência, como forma de fugir de tudo. Geralmente tais pessoas não se abrem, não expõem seus problemas, não procuram ajuda de amigos ou mesmo de médicos, e esse é o erro. De um papo aberto com um amigo podem surgir argumentos que elevem o astral da pessoa e impeçam o fim trágico. A consulta a um médico também é uma forma eficaz de evitar o ato fatal.
A vida é uma dádiva divina; devemos amá-la e dela não abrir mão, e a Deus devemos deixar a decisão sobre o momento de tirá-la de nós. A origem humilde e a timidez de certa forma tornaram-me mais difícil vencer certas dificuldades e alguns obstáculos. Mas não impossível. A despeito delas, consegui melhorar de condição.
Não que me preocupe com “status” nem com aparências. Realmente não ligo para isso. Aprendi que problemas só se resolvem enfrentando-os, e não fugindo deles. Também ajuda encará-los de vários ângulos, e não de um só. Às vezes o problema nem existe; a gente é que o imagina como tal. Quem ‘leva um fora’ da pessoa amada não deve desesperar-se. É possível sim viver sem ela. Basta olhar em volta e ver que a Terra continua girando, que o mundo não acabou, que há milhares de outras pessoas interessantes. Portanto, bola pra frente. Como dizem, a dor de um amor perdido se cura com outro amor. É errado pensar que a pessoa amada é a outra metade. Não é. Cada um é um por inteiro.
As coisas nem sempre são eternas. O mundo dá voltas, o que parecia imutável muda, e é preciso assimilar isso. A vida tem altos e baixos, e é nos momentos difíceis que se deve mostrar valor. Dizem os empresários de sucesso que nas crises surgem as melhores oportunidades, pois se põe a cabeça para pensar, o que faz aflorar idéias que dão certo. Há exemplos de empregados demitidos que, em vez de deixar-se abater, criaram seu próprio negócio e fizeram fortuna; de empresas quase falidas que mudaram de postura e deram a volta por cima.
Vejo como suicídio o estilo de vida a que se entrega boa parte da juventude, entrando para um mundo de onde não se sai vivo ou sem graves seqüelas. O mundo das drogas, do crime, da violência, da falta de limites. Por vezes falta ao jovem a noção de que ele não é invulnerável. Só isso explica o excesso de mortes violentas por rivalidades, mortes no trânsito por direção imprudente, por overdose de drogas, de álcool, por uso de anabolizantes. Há ainda as mortes decorrentes de bulimia, anorexia, da submissão insana à ditadura da magreza. Jovens, acordem! O mundo precisa de vocês vivos, ativos, dinâmicos, pensantes, empreendedores, alegres. Quem vai lutar contra a corrupção, as injustiças, as desigualdades, as iniqüidades, a falta de amor? Sonhem, façam planos e, sobretudo, aprendam a zelar pelo bem mais precioso: a vida. Não morram!
PAULO PEREIRA DA COSTA é promotor de Justiça em Piracicaba
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