A noite de Natal chegou! O presépio está acolhedor, o Menino Jesus de braços abertos para nos acolher e ser acolhido. É Natal e o Natal celebra a manifestação da glória de Deus em Cristo. O trecho do profeta Isaías proposto como primeira leitura da noite de Natal inicia-se com estas palavras: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz”(Is 9,1).
O Natal celebra os “esponsais” do Filho de Deus com a humanidade. O tema de Cristo esposa da humanidade e da igreja foi preparado pelos profetas e anunciado por João Batista. Cristo desceu sobre a terra para se unir à Igreja mediante a sua encarnação. Cristo é chamado “esposo divino da Igreja”.
O Natal é a festa da nossa “divinização”. A divinização deve ser entendida como participação nas qualidades e nos direitos da natureza divina. O Natal é a festa da “nova criação”. O Natal coloca em evidência o aspecto de um novo nascimento que a redenção comporta. O homem chega à condição de filho de Deus e pode realizar em plenitude a sua missão.
O Natal faz memória da maternidade virginal de Maria “Filha de Sião”. No “sim” de Maria realiza-se a promessa do nascimento de um povo novo do qual Cristo é a cabeça e os cristãos são os membros. Maria, portanto, não é só Mãe de Cristo, mas também de todos os seus membros. O Natal é acontecimento de salvação.
A liturgia do Natal coloca em realce que o homem se renova e nasce para a vida divina entrando assim no único mistério de salvação que é a Páscoa. O Natal é mistério de luz. Toda a história da humanidade é um fatigante caminho nas trevas à procura da luz, da verdade e da esperança. O Natal é uma festa de luz, que clareia a noite das nossas trevas, a noite das nossas incompreensões, a noite desumana de nossas angústias e desesperanças.
O Natal é mistério de fraqueza. O nascimento de Jesus não pode senão desorientar os grandes, os sábios e os fariseus de todos os tempos, mas se revela em toda a sua importância aos simples, que, como os pastores de Belém, chegam a discernir a voz do Espírito pelo simples fato de estarem, na sua fraqueza, disponíveis e generosos. O Natal é mensagem de Paz. Os anjos de Belém cantam: “Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens objetos de benevolência divina” (Lc 2, 14).
Jesus é o príncipe da paz que aparece na história da humanidade como sinal de reconciliação com Deus e com os homens. Com Cristo começa o tempo da nova e eterna aliança entre o homem e Deus, um tempo definitivo de paz, de intimidade e familiaridade do homem com Deus. O Natal é convite à alegria. Hoje revivemos no nosso coração a alegria dos patriarcas, dos profetas, de Maria, de João Batista e dos pastores. A alegria natalina exprime confiança na história porque ela foi atravessada pela salvação.
O Natal é convite à solidariedade. Cristo que nasce se faz solidário com o homem no seu tempo e no seu ambiente. O Natal requer de cada um o empenho por uma solidariedade concreta, feita de obras e de sinais visíveis. É o convite a sair de nós mesmos para a superação do próprio egoísmo, do desinteresse pelos outros. O Natal é o momento em que Deus quis abraçar o mundo com os braços do seu Filho que, estendidos na cruz, nos dariam a salvação. Feliz e Abençoado Natal!
JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral Sé de Franca
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