Maioria das vítimas é morta perto de casa


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Um levantamento inédito realizado pelo Comércio da Franca traça um perfil dos crimes de homicídio ocorridos na cidade em 2006. A pesquisa, baseada em dados fornecidos pelos distritos policiais e delegacias especializadas ao Serviço de Inteligência da Seccional de Polícia e no acervo do Comércio, mostra que 72,7% das vítimas foram mortas nas proximidades de suas casas, em um raio de um quilômetro. Em quatro ocorrências, a situação é ainda mais assustadora: as vítimas foram mortas dentro de suas próprias residências. Foi o caso do comerciante Valdir José da Silva, 45, assassinado em 27 de abril, na Vila Santa Efigênia. Ele foi rendido por dois bandidos armados em seu varejão e obrigado a levá-los ao interior de sua casa, anexa ao estabelecimento. Reagiu ao ver os ladrões amarrando sua mulher e seu filho. Baleado no coração, morreu na hora. Dias depois, descobriu-se que o crime havia sido premeditado por um vizinho de Valdir. Em 2006, até agora, Franca teve 22 homicídios e já superou 2005, quando foram registrados 18, em um aumento de aproximadamente 22%. Nove deles (40,9%) não foram esclarecidos pela polícia. Os meses mais violentos deste ano foram maio e agosto, quando ocorreram oito casos, respondendo por 36,3% do total. Fevereiro, março e novembro foram os meses mais tranqüilos: não registraram ocorrências do gênero. O delegado-titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Wanir José da Silveira Júnior, reconheceu que os números são preocupantes e apontou a falta de pessoal como um dos entraves para a elucidação de alguns dos homicídios. “Estamos com apenas 14 escrivães quando deveríamos ter 36 (...) Às vezes, quando chegamos ao final de uma investigação, acontece outro homicídio. Não temos condição de fazer como a polícia americana e colocar dois tiras para investigar cada crime”, disse. DETALHAMENTO Também são indicadas no estudo quais são as faixas etárias e em quais horários os crimes de morte mais ocorrem. A idade das vítimas subiu em relação a levantamentos anteriores da Secretaria de Segurança Pública do Estado. O levantamento mostra, ainda, a incidência por sexo e profissão das vítimas e mapeia as áreas mais violentas da cidade, além de mostrar que a maioria das vítimas e indiciados é branca. A principal motivação dos assassinatos foram rixas. A seguir, vêm os crimes passionais. As armas mais utilizadas, ao contrário de anos anteriores, não foram as de fogo, que, desta vez, perderam para ferimentos letais causados por espancamentos. A DIG também instaurou inquéritos que apuram crimes do gênero em cidades como Jeriquara e Cristais Paulista. Todos os processos estão em fase de conclusão ou já foram relatados ao Fórum da Comarca para manifestação do Ministério Público, eventual pronúncia e definição do julgamento dos acusados. Também estão parados alguns inquéritos que aguardam identificação e localização de autores. Em um dos homicídios ainda não relatados, falta identificar o autor dos disparos, já que a vítima, o desempregado Clayton de Oliveira, 24, morreu durante tiroteio com a Polícia Militar na mata do Jardim Paulistano. Os roubos - tipo de crime que também levam à ocorrência de assassinatos ou tentativas, já que são praticados mediante o uso de violência - também cresceram: já ultrapassaram 650 casos contra 553 do ano passado. O levantamento realizado pelo Comércio, que pode basear uma saudável e necessária discussão sobre segurança pública na cidade, é um indicativo de que ninguém está absolutamente seguro ou acima da violência que se abate sobre nossa sociedade.

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