‘Acreditamos no poder terapêutico do desabafo’, diz Sérgio


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Os atendimentos do CVV são, em geral, realizados por plantonistas voluntários que se revezam em turnos e quem têm disponibilizadas duas linhas telefônicas. De acordo com Sérgio, a entidade também atende pessoalmente e até mesmo por e-mail ou carta."Entretanto, 95% de quem nos procura o faz via telefone. Acho que isso se dá pela garantia do anonimato que um contato assim oferece. E-mails e cartas são mais raros, mas acontecem". A entidade atende, em média 300 ligações em busca de apoio por mês. Comércio - Qual é a linha de base, digamos, teórica, que norteia o atendimento no CVV? Sérgio - A nossa proposta é criar um espaço para o desabafo. Nossos voluntários são leigos, não são psicólogos. Mas recebem treinamento na linha Humanista de Carl Rogers, por exemplo, e de outros segmentos psicológicos para estar apto ao acolhimento, a respeitar a individualidade do outro e o seu momento. Trabalhamos para tentar fortalecer aquele que está se sentindo fragilizado e/ou desesperado. Acreditamos no poder terapêutico do desabafo. É preciso lembrar que o sigilo total, a não-identificação de voluntários ou de quem chama são absolutamente respeitados. Comércio - Como o CVV consegue se manter em termos financeiros, já que é uma instituição praticamente auto sustentada? Sérgio - Como entidade apolítica, arreligiosa e sem fins lucrativos, sobrevivemos por meio de promoções, como a Feira da Fraternidade. A casa onde atendemos é cedida pela Prefeitura em comodato. O Poder Público também nos destina uma verba que cobre cerca de 40% de nossas despesas. Eventualmente os próprios voluntários fazem colaborações também. Comércio - Nesse 23 anos de CVV você percebeu modificações nas queixas, no sofrimento das pessoas? Sérgio - Sim e não. Sim, porque os problemas se avolumaram, nesses 20 anos muitas coisas ruins, como a violência, o desemprego, a crise na família, por exemplo, aumentaram. E não, porque, essencialmente, as pessoas vêm para falar das mesmas coisas.

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