Se para alguns o clima de confraternização que o período das festas natalinas e de passagem de ano evoca é de euforia e felicidade, para outros, nem tanto. Aliás, há aqueles que se angustiam intensamente durante as festas. A confirmação disso, afora os comentários de uns e outros que ouvimos por aí, nos é dada pelo CVV (Centro de Valorização da Vida) em Franca.
De acordo com o coordenador da unidade local, identificado somente pelo prenome Sérgio para assegurar o caráter de respeito ao sigilo que norteia a entidade, durante as festas de final de ano há um crescimento de pelo menos 30% no números de chamadas que o CVV atende.
As explicações para este fenômeno natalino podem ser várias, mas a que Sérgio, em seus 23 anos de experiência como voluntário elenca como as principais são as perdas de entes queridos e a solidão. "Parece-me que boa parte deriva disso. O pano de fundo de muitas tristezas é a solidão. Há também as dificuldades financeiras, que se acentuam no final do ano em função do apelo ao consumo. O que percebemos, em nossos atendimentos, é que as perdas que as pessoas sofrem ou as dificuldades que têm ficam mais evidenciadas nesse período", explica ele.
Há histórias que impressionam, como a de alguém que procurou por telefone o plantão do CVV na passagem de 24 para 25 de dezembro de um determinado ano, contanto que por causa da perda de familiares, estava passando o Natal sozinho num apartamento. Ele ouvia a champagne sendo estourada, as pessoas rindo, se confraternizando e ia narrando todos os momentos da festa ao plantonista. "Foi uma situação tocante", conta Sérgio.
No entanto, o que surpreende é que, no final do ano, paralelo ao crescimento de ligações de apoio é o aumento no número de contatos para agradecimento. "De um modo geral, as pessoas ficam mais sensíveis. De um lado, vulneráveis a certas dores; de outro, mais compassivas, com necessidade de retribuir o que de bom receberam", considera. "Sempre recebemos manifestações de agradecimento de pessoas que nos dizem que só conseguiram continuar de pé porque receberam o nosso apoio. Alguns, inclusive, se mostram tão gratos que sentem a necessidade de retribuir o amparo se tornando voluntários do CVV", finaliza.
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