Amizade, chops, porções de peixe e prisões


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Foi um autêntico happy hour. Três amigos se encontraram no começo da noite e foram a um badalado bar da cidade beliscar um petisco e tomar um chopinho. Até aí nada de anormal. Seria apenas mais um daqueles corriqueiros programas feitos quase todos os dias por centenas de francanos, não fosse um pequeno detalhe. Na mesma mesa de bar, comendo e bebendo, estavam dois investigadores integrantes da divisão de roubos e furtos de veículos da DIG (Delegação de Investigações Gerais) e um bandido cuja especialidade é aplicar golpes durante a compra e venda de carros. Não bastasse esse detalhe, o estelionatário era procurado pela polícia, pois teria de cumprir um ano e dois meses de cadeia. Condenado pela Justiça, havia dois mandados de prisão expedidos contra ele. O criminoso fugiu e os policiais foram presos acusados de facilitarem a fuga. Era noite de terça-feira. Apesar da chuva, fazia calor em Franca e o clima era propício para uma cervejinha. Faltavam alguns minutos para as 20 horas quando os investigadores Régis e Amato e o golpista Marcelo Marcelo Henrique Rodrigues, 28, o “Marcelinho”, chegaram ao Peixinhos, tradicional bar situado na Cidade Nova. Pediram uma porção de peixe e uma Coca-Cola. Na mesa deles também tinham dois copos com cerveja ou chope. O bar estava movimentado e praticamente todas as mesas eram ocupadas por clientes. Por volta das 21 horas, o tenente Felício, da Polícia Militar, chegou ao local e chamou Amato para uma conversa em particular. Disse a ele que “Marcelinho” estava “pedido” e que teria de prendê-lo. O investigador argumentou que o mandado de prisão havia sido derrubado. O tenente disse que havia uma segunda ordem judicial para mandá-lo à cadeia. Amato retornou à mesa e avisou ao amigo que ele seria preso. Os dois investigadores foram ao caixa, pagaram a conta e seguiram para o Plantão Policial com o bandido. Foram acompanhados pela viatura da PM. O delegado Jairo Antônio dos Santos cumpriu o mandado de prisão e determinou que “Marcelinho” fosse levado para a cadeia. Apesar de existir uma equipe de plantão, os dois investigadores que bebiam e comiam com o bandido assumiram a responsabilidade de levá-lo para Pedregulho. Apontado como “ganso” - expressão usada por criminosos para definir bandidos informantes da polícia -, ele é jurado de morte na cadeia do Jardim Guanabara. Segundo informações contidas no Boletim de Ocorrência registrado no Plantão, antes de iniciarem a viagem, os investigadores deram uma carona para o amigo até a casa dele, onde pegaria algumas peças de roupas. Teria sido nesse momento que o criminoso fugiu. As circunstâncias ainda não foram bem esclarecidas. Oficialmente, a Polícia Civil divulgou outra versão. Disse que a fuga teria ocorrido quando os investigadores seguiam em direção à Rodovia Cândido Portinari, via Rua Benedito Merlino, Jardim Guanabara. Sentado no banco de trás de um Corsa e algemado para trás, “Marcelinho” teria simulado passar mal e pedido para vomitar. Os policiais estacionaram o carro, abriram a porta e soltaram as algemas. O golpista saiu correndo e os policiais, que estavam armados, não o detiveram. Até o momento, “Marcelinho” continua foragido e a polícia não tem pistas de seu paradeiro.

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