Natal ameaçado


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Wagner Lopes, ex-funcionário da Samello, recorreu a um “bico” de garçom para manter as despesas de casa
Wagner Lopes, ex-funcionário da Samello, recorreu a um “bico” de garçom para manter as despesas de casa
``Se ele fosse um ser humano de coração, proporcionaria um fim de ano mais digno aos seus funcionários. Só cobramos o que é nosso. Nada mais´´. Na frase, carregada de sentimentos, Wagner Lopes de Azevedo, 38, se refere ao presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, que deixou de pagar salários dos funcionários há quatro meses e, após demiti-los, não acertou as rescisões. A quatro dias do Natal, Wagner, assim como centenas de colegas de trabalho, não têm perspectiva alguma de uma grande festa para comemorar a data. Viagens, ceia em casa e presentes estão descartados para a maioria. Na tentativa de garantir ao menos um jantar em família, alguns ex-funcionários decidiram fazer "bicos". Outros, apesar disso, nem de longe poderão fazer festa e se apegarão aos parentes na ceia e almoço de Natal. Wagner é um deles. Montador durante quatro anos e meio na empresa, ele tem a receber mais de R$ 9 mil, mas não poderá contar nem mesmo com parte do dinheiro para garantir um Natal mais feliz para a mulher e os quatro filhos. Sem dinheiro para comprar até mesmo produtos de necessidade básica, ele recorreu ao trabalho de garçom. "Está muito difícil, não dá para pensar em festa", lamenta. O presente para os filhos vai ficar para quando conseguir um novo emprego ou quando a Samello pagar. "Eles queriam um carrinho de controle remoto, mas não vai dar para comprar. Tenho que pensar apenas nos itens de primeira necessidade". A ceia, Wagner vai passar na casa de parentes. "Em casa não dá mesmo. Vamos recorrer a eles". Ricardo dos Reis Ernesto, 27, também está se virando como pode para manter as despesas de casa. Montador há cinco anos e meio na Samello e sem receber salário há quatro meses, tem trabalhado como ajudante de pedreiro e por sorte conseguiu entrar ontem em uma banca de calçados. Sua mulher, Liliane Resende dos Santos, 23, não planeja festas, mesmo porque não terá condições, mas contará com o apoio da família para agradar ao filho de 4 anos de idade. "Minha sogra vai dar um carrinho para ele. Vou sentir muito por não poder comprar." O Comércio ouviu ontem mais de dez ex-funcionários da Samello, por contato telefônico. Todos foram unânimes em afirmar que este fim de ano será diferente. Mesmo com dinheiro a receber, "será triste, será pobre....", disse um deles. OUTRO LADO Se para os funcionários da Samello o Natal e Réveillon não serão de comemorações, para a família Samello a "crise" da empresa não deve interferir nas festas. O presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, de acordo com sua mãe, Zarife Mello, vai passar o Natal na casa de um irmão na Morada do Verde e, na passagem de Ano Novo, estará em uma das fazendas da família.

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