Os horários de funcionamento do comércio para hoje e amanhã e de abertura na terça-feira continuam causando grandes atritos entre a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) e o Sindicato dos Empregados no Comércio. Na quarta-feira, o sindicato garantiu que, nesse dias, as lojas fechariam às 22 horas e que nos dias 26 de dezembro e 2 de janeiro abririam ao meio-dia.
Ontem, porém, o presidente da Acif, Jayme Barbosa, deu outra versão e garantiu que os lojistas que quiserem poderão trabalhar normalmente até a meia-noite hoje e amanhã e, na terça-feira e no dia 2 poderão abrir às nove horas. "Estamos sugerindo que fiquem até as 23 horas, mas com horário é facultativo até a meia-noite. Na terça, a abertura será às nove horas, pois há muitas trocas de mercadorias e a semana é mais curta", disse.
Barbosa disse que o sindicato não pode controlar o horário dos comerciantes, desde que eles cumpram com suas obrigações trabalhistas, como o pagamento de horas extras. "Isso não existe, o sindicato não pode fazer nada. O mercado é livre, cada um abre e fecha a hora que quiser", disse. "Wal-Mart, Carrefour e Compre Bem não são varejos? Então, por que eles podem abrir até a meia-noite? Se eles podem, os demais também podem".
O presidente do Sindicato do Comércio, Reginaldo Galvani, por sua vez, disse que quem não pode decidir nada a respeito é a Acif. "Quem comanda o horário do comércio é o nosso sindicato e o sindicato varejista. Não temos de dar satisfações a eles (Acif). São intrusos nesse acordo", disse. "Já está decidido: as lojas fecharão às 22 horas e na terça abrirão ao meio-dia".
Quanto à insinuação de Barbosa, de que o sindicato não estaria se opondo ao funcionamento dos hipermercados até a meia-noite e pegando no pé dos comerciantes, um dos diretores do sindicato declarou ser uma inverdade. "Essas empresas nos procuraram e pediram para ficar até 23 horas. Se prolongarem, vamos acionar o Ministério do Trabalho para verificar a situação".
MINISTÉRIO
O subdelegado do Ministério do Trabalho em Franca, Jamil Leonardi, observa toda esta confusão à distância. Disse que não interferirá na discussão, a não ser que os trabalhadores sejam lesados. "O Ministério não legisla no horário de funcionamento do comércio, isso é atribuição da Prefeitura. Agimos somente se houver denúncias sobre a jornada dos trabalhadores".
Leonardi disse ainda que a lei permite, no caso dos funcionários em estabelecimentos comerciais, uma jornada de até oito horas de trabalho, podendo se estender para dez, com a devida remuneração das horas extras.
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