A Calçados Samello deve mais de R$ 8,6 milhões para aproximadamente 1,6 mil ex-funcionários. Deste valor, R$ 6,7 milhões se referem à matriz, em Franca, e R$ 1,8 milhão à unidade de Santa Rita (PB). A dívida total da Samello, divulgada ontem no Diário Oficial, é superior a R$ 65 milhões, para aproximadamente dois mil credores (veja lista completa e detalhada no caderno Classificados). A empresa, que obteve na Justiça o benefício da recuperação judicial, deixou claro que, se entrar dinheiro com a venda de imóveis, os ex-funcionários terão prioridade, caso contrário, eles terão de esperar uma decisão da Justiça para receber seus direitos.
O número de ex-funcionários com créditos na Samello pode, a princípio, parecer exagerado, pois aconteceram aproximadamente 400 demissões nos últimos meses. Mas, segundo o Sindicato dos Sapateiros, foram incluídos acordos rescisórios não cumpridos e débitos com prestadores de serviço. “Esse é o verdadeiro número, pois inclui quem saiu da empresa e não recebeu os parcelamentos e as bancas de pesponto com seus empregados”, disse o presidente da entidade, Paulo Afonso Ribeiro.
O sindicalista não deu um panorama animador. Disse que foram oferecidos 12 imóveis do grupo para venda, com o objetivo de quitar os débitos com os funcionários. No total, segundo ele, valem mais de R$ 20 milhões. O problema é que, até agora, não surgiram compradores. “Não aparece ninguém disposto a pagar o que eles querem. Além disso, teríamos de vender mais de um imóvel para aliviar a situação”, disse Ribeiro. “Amanhã (hoje) vou procurar a empresa, porque o pessoal passará um Natal sem nenhum tostão”.
O presidente da empresa, Miguel Sábio de Mello Neto, confirmou ontem que os imóveis estão à venda e que, se eles forem negociados, a prioridade serão os ex-funcionários. “Estamos brigando, como sempre, e repito que vamos pagar todo mundo. Só que, até agora, não conseguimos fechar as negociações”, disse. “Dentro do prazo estipulado (pela Justiça), faremos o que for necessário”.
MAIS DÍVIDAS
A lista de credores da Samello é imensa. Somente para os bancos, o valor fica próximo aos R$ 23 milhões. Além disso, há fornecedores de matéria-prima, componentes e vários outros tipos de segmento.
A maior credora individual da empresa é a fábrica de solados MSM, pertencente ao Grupo Samello. São mais de R$ 11 milhões em aberto. Na MSM, uma pessoa chamada Gabriela, que disse integrar a diretoria, disse que somente o Departamento Jurídico se manifestaria sobre o assunto. A advogada Simone de Barros, que representa o grupo, não soube dizer se os R$ 11 milhões serão efetivamente pagos. “Pela lei, a empresa tem de ser relacionada como os demais credores. Agora, não sei como se acertarão”, disse.
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