As 172 famílias do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) começaram a deixar a Fazenda Santa Cruz, em Cristais Paulista. Os militantes estão transferindo as barracas para as margens da estrada que passa em frente à propriedade. A previsão é que o grupo termine a mudança na tarde de hoje.
Como estão bastante interessados em transformar a fazenda em assentamento, os sem-terra resolveram cooperar. Vilmar Silva, um dos coordenadores, disse que a manobra é uma estratégia e que não se trata de reintegração de posse. Silva disse que a família pediu a saída dos sem-terra para que pudesse visitar a fazenda.
Os sem-terra não pretendem sair de perto da fazenda, que é alvo de cobiça há mais de um ano. “Vamos ficar de fora até a situação se resolver. Por enquanto, não vamos invadir outra propriedade porque não podemos perder essa de vista”, disse.
Os militantes estão tão otimistas que nem sequer cogitam a possibilidade do proprietário não querer vender a área. “Nem pensamos nisso. Estamos bem confiantes de que o Incra conseguirá comprar”.
O assessor do superintendente Regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Antônio Oswaldo Storel, disse que a retirada dos sem-terra não atrapalha em nada a negociação. “Essa é uma questão entre o fazendeiro e os militantes. Continuamos com a avaliação da terra e em breve faremos a contraproposta”, disse o assessor, que visitou recentemente a área e informou que as chances da fazenda se transformar em assentamento chegam a 80%. O valor a ser oferecido pela propriedade não foi divulgado pelo Incra, o que deve acontecer ao fim da negociação.
PÉ ATRÁS
Quem está preocupado com a história é o prefeito de Cristais Paulista, Hélio Kondo (PMDB). Caso a fazenda se transforme mesmo em um assentamento como sonham os sem-terra, a prefeitura terá de prestar atendimento nas áreas de saúde, educação e social e ele afirma não ter condições financeiras para isso. “Durante todo esse ano, tivemos que conviver com o acampamento dando a eles atendimento médico e educacional. Espero que, se a fazenda for mesmo vendida, o município receba ajuda dos governos federal e estadual porque até agora estamos desamparados”, disse Kondo.
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