Nádia Regina da Silva, 41, já havia denunciado ameaças do ex-marido e também havia procurado ajuda. No dia 5 de julho, preocupada com o que poderia lhe acontecer, foi à rádio Difusora e concedeu entrevista ao radialista Marcelo Valim, contando as constantes aparições de "Zé Coco", que passava na porta de sua casa e, além de ameaçá-la, ainda dizia estar armado. Na época, ela chegou a apresentar uma carta, escrita pelo ex-companheiro quando ele estava preso, acusado de ter mantido a sogra como refém no Jardim Noêmia. José Carlos Miranda já informava que acabaria com a vida de Nádia assim que saísse da cadeia.
A vida do casal sempre foi de constantes agressões e ameaças. Na entrevista, ela relatou que até mesmo os filhos presenciavam as confusões vividas por eles. "Vivi com ele 25 anos e, durante todo esse tempo, ele me batia, ameaça me matar. Meus filhos entravam na briga para me ajudar. Minha casa era um inferno. Eu cansei, saí de casa e fui morar com meus filhos. Desde o dia que fui embora de casa, ele vive atrás de mim".
Segundo Nádia, após sair da cadeia, "Zé Coco" ficou mais obcecado. Ele chegou a comentar com um de seus filhos que havia comprado um revólver. "Ele vai me matar. Alguém tem de me ajudar, pois ele fica todos os dias passando na porta da minha casa", disse Nádia.
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No mesmo dia em que ela participava ao vivo da rádio Difusora, José Carlos Miranda, através de um telefonema, também entrou no ar para desabafar. Ele negou as acusações de ameaças e da posse de revólver. "Eu estou ouvindo o rádio e ninguém sabe da verdadeira história. Essa família, eu convivi com ela 25 anos.
De uma hora para outra, eles saíram da minha vida. Agora eu não posso passar na rua que falam que estou vigiando eles? Eu não procuro eles".
Na época a polícia foi até a casa de Miranda, mas não encontrou nenhum revólver. Ele também prometeu não mais passar perto dos familiares de Nádia. Não houve a abertura de nenhum processo contra o pintor.
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