Terminou de maneira trágica o relacionamento conturbado da sapateira Nádia Regina da Silva, 41, com seu ex-marido, o pintor José Carlos Miranda, 48, conhecido como ``Zé Coco´´. O casal protagonizou uma triste história marcada por um seqüestro, ameaças e sangue. No começo da tarde de ontem, "Zé Coco" chegou ao local de trabalho da ex-mulher com uma arma em punho e decisão tomada: cumpriria o prometido. Deu dois tiros na cabeça da mulher e um em sua própria têmpora. "Zé Coco" morreu na hora. Nádia foi socorrida por policiais, mas morreu pouco depois de chegar à Santa Casa.
"Ele entrou com a arma na mão dizendo que ia cumprir a promessa. Chegou a apontar o revólver para mim quando disse para ele não a matar. Ele atirou duas vezes nela. O Zé vivia ameaçando nossa família. Já alertamos que ele estava armado", disse, transtornada, a irmã da vítima, Lindalva da Silva.
Desde que o casal se separou há mais de um ano, depois de 25 anos juntos, o pintor ameaçava a mulher na tentativa de tê-la de volta. Em uma ação desesperada, no dia 3 de abril do ano passado, ele seqüestrou a sogra. O cárcere durou treze horas, fez com que "Zé Coco" ficasse 11 meses na cadeia e afastou a mulher ainda mais.
Mesmo depois de sair da cadeia, ele não aceitava a separação e continuou ameaçando a mulher. "Eles me deixaram de uma hora para outra", disse durante o programa Hora do Cacete em julho, quando Nádia foi à rádio Difusora pedir ajuda, com medo das ameaças do ex-marido. "Ele vai me matar. Alguém tem de me ajudar, pois ele fica todos os dias passando na porta da minha casa", disse ela.
Matou. Ontem, "Zé Coco" foi até um supermercado na Avenida Arthur Costa e Silva, local onde Nádia trabalhava há cerca de 20 dias, armado com um revólver Taurus calibre 38. O dono do supermercado, que mora ao lado, estava almoçando quando ouviu os tiros. "Antes, quando Nádia trabalhava na banca de pesponto, aqui perto, ele passava de bicicleta na porta olhando para ela.
Já vi este homem várias vezes nos últimos dias. Falei para ela ter cuidado", disse o comerciante Valdeci Valeriano Silva, que, ao chegar ao supermercado, encontrou a mulher caída e, um pouco mais atrás do balcão, o corpo de José Carlos.
Populares chamaram a polícia e imediatamente uma viatura estacionava na porta do supermercado. O sargento Della Mota constatou que Nádia ainda apresentava sinais vitais e determinou sua remoção para a Santa Casa, por uma viatura da PM. "Vi que ele estava morto, mas ela ainda respirava. Nós a colocamos na viatura e a levamos para a Santa Casa", disse. Após dar entrada no hospital, Nádia Regina da Silva não resistiu aos ferimentos e morreu.
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