Marcela de Jesus completa um mês de vida


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Cacilda Ferreira diz estar feliz com os 30 dias da filha: “Eu só queria levá-la para casa”
Cacilda Ferreira diz estar feliz com os 30 dias da filha: “Eu só queria levá-la para casa”
“No dia em que minha filha veio ao mundo (...), ela chegou no meu quarto num bercinho normal e, para surpresa de todos, procurando mamar. Minha felicidade era tanta ao ver aquela pequena menininha abrindo a boquinha com fome (...). Estou pegando tanto amor nela, mas ela é de Deus. Sei que vou sofrer, mas tenho que me conformar. Ela não me pertence e sim a Ele. Vou rezar para que Deus faça o melhor para ela”. Esse é um trecho da carta que Cacilda Galante Ferreira, 36, escreveu no início de novembro na tentativa de colocar para fora todo o sofrimento que sentia em ver a pequena Marcela de Jesus Galante Ferreira lutando para sobreviver. Marcela, bebê que nasceu sem cérebro na Santa Casa de Patrocínio Paulista, resistiu e surpreendeu a familiares, amigos e médicos. Hoje ela completa 30 dias de vida. O mês que passou não foi nada fácil para o bebê. A pequena Marcela teve febre, convulsões e paradas respiratórias. Além disso, não ganhou peso. Pelo contrário. Ela nasceu com 2,5 quilos e está pesando 2,2 quilos. “Como ela ficou vários dias só recebendo soro já era esperada a perda de peso”, disse a médica pediatra Márcia Barcellos, que acompanha Marcela desde o nascimento. Atualmente, o bebê está recebendo leite por sonda. Há uma semana recebia 5 ml, ontem chegou a 30 ml. Cacilda continua se apegando à fé para suportar os dias difíceis ao lado da filha. “Fico muito feliz em ver minha filha completar 30 dias de vida e ao mesmo tempo muito triste. Feliz por ela ainda estar viva e triste porque não posso levá-la para casa comigo”, disse. Ontem a mãe também recebeu uma notícia não muito feliz. As chances de Marcela receber alta diminuíram já que voltou a depender de aparelhos para respirar. “Estávamos nos preparando para dar alta para a criança, mas agora está descartada”, disse a pediatra. O neurologista Danilo Bertoldi, que a examinou no dia 21 de novembro na Santa Casa de Franca, se diz surpreso com os 30 dias dela. “Em 80% dos casos, a criança não sobrevive a uma semana. Mas a Marcela é forte e, tirando a anencefalia, é um bebê saudável”, disse o médico. Para o neurologista, não há muito o que esperar do desenvolvimento da criança. “Infelizmente, ela não tem o que evoluir. O tronco cerebral, com que ela nasceu, só deverá crescer um pouquinho e isso não muda nada no estado dela”. Bertoldi disse ainda que mesmo que a Marcela consiga viver por muito tempo, não se desenvolverá como um bebê normal. “Ela não andará, não aprenderá a falar e não reconhecerá as pessoas porque não tem cérebro. Ela viverá um dia após o outro em estado vegetativo”, disse.

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