A Santa Casa de Franca apresentará hoje, a partir da nove horas, na APMP (Associação Paulista do Ministério Público), um verdadeiro ultimato ao prefeito Sidnei Rocha (PSDB) e aos outros 21 prefeitos que comandam as cidades ligadas à DIR-13. O hospital quer um repasse adicional de R$ 800 mil mensais, sendo R$ 640 mil por Franca e R$ 160 mil divididos entre os municípios menores. Caso não se chegue a um acordo, a Santa Casa aponta para cortes de até 30% nos atendimentos aos usuários do SUS (Sistema Único de Saúde).
Se os cortes forem efetivados, pelo menos 17 mil procedimentos deixariam de ser realizados mensalmente pela Santa Casa. “Atenderemos de acordo com o que nos pagarem. Se continuarmos trabalhando no prejuízo, a Santa Casa acabará fechando as portas”, disse o superintendente da instituição, Fernando Bueno. “Nossa preocupação é com a Santa Casa. A saúde pública é responsabilidade dos prefeitos”.
A grande maioria (cerca de 90%) dos 63 mil atendimentos mensais do hospital é voltada aos pacientes do SUS. A proposta da Santa Casa é reduzir este número para 62% se não houver concordância dos prefeitos em aumentar os repasses. “Com a diminuição destes procedimentos, aumentaríamos os atendimentos a convênios particulares e diminuiríamos nosso déficit de R$ 8 milhões para R$ 700 mil ao ano”, disse. Bueno afirmou ainda que apresentará um cronograma individualizado a cada município, de acordo com sua população, de quanto deverá ser a contribuição de cada um deles. “Franca, que apresenta a maior demanda, responderá por aproximadamente 80% dos recursos. Não estamos exigindo nada absurdo, mas somente o valor exato que gastamos para atender as pessoas de cada uma das cidades”, disse.
O promotor de Justiça e curador das fundações, Décio Piola, disse que a Santa Casa tem autonomia legal para cortar os atendimentos. “Apesar de se tratar de uma fundação filantrópica, a Santa Casa é um hospital particular que precisa ser administrado como tal”, disse.
Procurado pelo Comércio em seu celular e pelo telefone de seu gabinete, o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, não foi encontrado para comentar o assunto.
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