Pelo menos 35 empresários e dirigentes de entidades coureiro-calçadistas participaram ontem do 1º Fórum Calçadista da cidade e apresentaram os principais problemas do setor ao deputado federal eleito Marco Aurélio Ubiali (PSB), idealizador do encontro. Não houve surpresas: política cambial, exportação do couro wet blue, guerra fiscal e concorrência chinesa foram apontados como os grandes vilões dos fabricantes de calçados de Franca. Ubiali disse que apreciará todas as sugestões, mas evitou fazer promessas. “Grande parte destas solicitações é de atribuição do Executivo. O que caberá a mim, enquanto deputado, será pressionar para que elas possam se tornar realidade”.
Ubiali disse que, apesar deste desencontro de idéias, o fórum foi “muito proveitoso” e que o ajudou a nortear o início de seu mandato. Um dos assuntos levantados, e considerados viáveis por Ubiali, foi a criação de barreiras para a exportação do couro wet blue. Os calçadistas querem a manutenção da taxação de 7% sobre o produto, além da criação de novas barreiras para sua exportação, para impedir a compra indiscriminada por países concorrentes, principalmente a China.
Ubiali disse que tentará unir forças com deputados de outros pólos calçadistas, como Jaú, Santa Cruz do Rio Pardo e Vale dos Sinos, para pressionar o Governo Federal a estudar o assunto. “Hoje, não existe qualquer norma para sua comercialização. A idéia é atuarmos junto aos ministérios competentes para que se crie uma portaria equiparando o valor do produto nacional ao argentino, que é 15% mais caro”, disse. “Assim, o sapato deles também tende a encarecer, o que seria bom para os calçadistas brasileiros”.
A medida, segundo o diretor-regional da Fiesp, Wayner Machado, seria benéfica também para os curtumeiros. “A exportação indiscriminada é ruim para todo mundo. Se o wet blue é processado em outro país, os empregos em curtumes também são gerados por lá”, disse.
APROVAÇÃO
Os representantes de entidades do setor calçadista aprovaram a iniciativa do Fórum. O diretor do Sindicato da Indústria de Calçados, Jorge Donadelli, disse que somente um diálogo claro poderá trazer benefícios. “Tivemos um ano ruim, com queda de exportações e de empregos. Então, são necessárias ações voltadas à recuperação das indústrias”, disse.
O diretor da Ciesp na região, Saulo Pucci Bueno, destacou a objetividade do encontro. “A busca de soluções tem de acontecer desta forma, com a união entre empresários e classe política”, disse.
Apesar da euforia geral, a adesão entre os políticos ficou aquém da esperada. Roberto Engler (PSDB) e Gilson de Souza tiveram participações discretas no fórum. O tucano participou apenas da abertura do evento e o peefelista foi representado pelo irmão, o vereador Nirley de Souza (PSC).
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.