Uma nova vida


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A técnica em enfermagem Maria Aldair Durães, de Passos (MG), passou pela recuperação na ONG entre fevereiro e novembro deste ano e hoje ajuda como coordenadora voluntária
A técnica em enfermagem Maria Aldair Durães, de Passos (MG), passou pela recuperação na ONG entre fevereiro e novembro deste ano e hoje ajuda como coordenadora voluntária
A técnica em enfermagem Maria Dolores Pereira, 28, de Passos (MG), conheceu as drogas e o álcool ainda na infância. O vício começou aos 9 anos com a turma da escola. Ela já passou por tratamento em clínica para dependentes químicos, chegou a trabalhar como coordenadora na instituição, mas teve recaídas e voltou a usar crack, maconha e cocaína. Pela segunda vez está em recuperação. Maria Dolores é uma das 30 residentes da Amafem (Associação Mão Amiga de Amparo Feminino), em atividade em Franca há cinco anos. “Tive de chegar ao fundo do poço de novo para procurar ajuda. Estava usando drogas e bebendo direto. Chegou uma hora que não dava mais. Perdi o sentido da vida e resolvi buscar socorro.” Na entidade desde agosto, está confiante no sucesso do tratamento. “Não é fácil. Fico nervosa e sem sono com as crises de abstinência, mas encontro força na espiritualidade e apoio nas coordenadoras da fazenda. Preciso mudar e isso depende de mim.” São pessoas como Maria que procuram a Amafem em busca de ajuda na caminhada para uma nova vida. O primeiro passo para as interessadas em tratar o vício é querer mudar. Se conseguem vaga e aceitam as regras, elas ficam nove meses internadas no Recanto Imaculada, fazenda cedida pela Prefeitura em contrato de comodato por 20 anos, até a recuperação. “O tratamento dura o mesmo tempo da gestação e simboliza o nascer de novo. O período também é suficiente para conhecermos a pessoa e ela ganhar confiança para se abrir conosco e mostrar onde realmente precisa mudar”, disse José Maurício Maníglia, 40, orientador geral e um dos fundadores da ONG. [FOTO2] A Amafem não utiliza medicação no tratamento. Apenas em casos extremos são ministrados remédios sob orientação médica para controlar as crises de abstinência. O atendimento se baseia no tripé trabalho, disciplina e espiritualidade. O trabalho inclui a manutenção da fazenda, cuidados com a horta, galinheiro, refeições, limpeza, etc. Além disso, as residentes, sob orientação das coordenadoras, seguem uma apostila com os “12 Passos”, na mesma linha do AA (Alcoólicos Anônimos) e que foi aprofundada e adaptada para fazenda de recuperação. “Buscamos o autoconhecimento para facilitar a mudança de comportamento.” Há ainda atendimento com psicólogas voluntárias, trabalhos de prevenção de recaídas, dinâmicas de grupo, apoio aos familiares e avaliação dos chamados defeitos de caráter, como orgulho e egoísmo. “Nossa proposta vai muito além do abster-se, do recuperar para não usar droga. Queremos atingir a sobriedade, o estar bem consigo mesmo, com Deus, com o próximo.” A disciplina é rigorosa. As recuperandas começam o dia às 5h50 e têm de seguir regras rígidas. Há horário até para comer frutas. Maurício disse que elas podem passar do lado do pé de amora, mas não devem pegar a fruta se não estiver no horário reservado para isso. “Se a pessoa não resiste a uma frutinha, como vai resistir ao álcool e à droga, que são muito mais prazerosos? As meninas precisam aprender a dizer não aos prazeres.” Se desobedecem, são advertidas. O orientador ressalta que as normas são essenciais para o sucesso da recuperação. “O dependente não tem limites. Precisamos ter autoridade para não perder o controle. Deixamos bem claro que as vontades delas não prevalecem aqui. Elas são avisadas das regras já na entrevista.” A espiritualidade completa o tripé que guia o trabalho da Amafem. Na entidade, a pessoa pode ter outra religião, mas o direcionamento que receberá é católico. “É difícil recuperar se não tiver temor a Deus. A Bíblia direciona para o que é certo.”

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