Cultura e ciência debatem


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Alfredo Palermo Um acontecimento inusitado de representantes classistas, na última quinta-feira, reuniu no recinto do Senado bom número de artistas, devidamente convocados, para pressionar os membros do Ministério da Cultura e do Esporte, visando a uma emenda salvadora: diminuir a cota reservada aos Esportes no Orçamento, para ampliar em justa medida os recursos da Lei Rouanet. A discussão demorou e foi acalorada, participando dos pleiteantes nomes de peso, como Fernanda Montenegro, Beatriz Segall, Nei Latorraca e outros integrantes, ao lado da Prof.ª Ideli Salvatti e do Prof. Cristóvão Buarque. E após algumas manifestações dos artistas, as partes chegaram a um consenso: pelo acordo firmado pelo ministro Gilberto Gil (Cultura) e Orlando Silva Júnior (Esportes), selando o que fora assentado pelo entendimento. Pelo acordo, comenta a “Folha”, a dedução do IR “para projetos esportivos será da cota reservada aos programas de inovação científica e tecnológica e à concessão do tíquete para o trabalhador”. Mas não ficou só nisso. Entre as conseqüências do bom entendimento, o senador Cristóvão Buarque assegurou que seria feito investimento de R$ 500 milhões a cada ano, a partir do próximo. Por outro lado, a emenda votada será adotada imediatamente, sem necessidade de voltar o assunto à baila. O curioso, nessa discussão realizada pelos representantes de artistas e esportistas, é a possibilidade de as empresas poderem deduzir até 4% do Imposto de Renda, pois “ao invés de o esporte disputar recurso com a cultura, concorrerá na prática com inovação científica ou tecnológica”. Pela primeira vez, artistas e intelectuais, temendo prejuízos irreparáveis com a omissão diante de perda da Lei Rouanet e outras conquistas, resolveram movimentar-se diante do poder público: dezenas de oradores, de políticos, de escritores e outros intelectuais mostraram o perigo de ignorar a dignidade da cultura e, por isso, precisaram atacar as emendas dos esportistas. Felizmente, democraticamente, esportistas e artistas entenderam-se em termos altos. E ganhou o Brasil.

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