A pequena Marcela de Jesus Galante Ferreira, bebê que nasceu sem cérebro (tem apenas um tronco cerebral) na Santa Casa de Patrocínio Paulista, está prestes a completar 30 dias de vida. A médica pediatra Márcia Barcellos, que acompanha o bebê, está surpresa com a evolução de Marcela e, pela primeira vez, cogita a possibilidade dela deixar o hospital. “Evidentemente, ela não poderá ir para a casa da família no sítio para evitar contato com insetos. Mas acho que poderá sim ficar em uma casa na cidade perto do hospital”, disse a médica.
A possibilidade foi aventada pela pediatra em razão do estado de saúde de Marcela, que melhorou na semana que passou. Ela voltou a receber leite por meio de sonda e, nos próximos dias, poderá mamar em mamadeira. A médica da criança começou a semana introduzindo 10 ml de leite na sonda e, na sexta-feira, o bebê recebia 20 ml a cada três horas. “Para ter alta, ela teria que se manter assim.”
Na sexta-feira, Marcela também voltou a respirar sem a ajuda de aparelho do qual dependeu na última semana. “Também tirei o soro dela. Ela é um bebê muito forte. Ninguém esperava que fosse viver tanto. Por isso, não podemos fazer nenhuma previsão sobre quanto tempo ela sobreviverá”, disse a médica.
Márcia Barcellos disse que já conversou com colegas sobre o caso de Marcela, mas ninguém tinha visto um bebê anencéfalo (sem cérebro) viver tanto. “Em razão disso não tenho com quem trocar experiências. Liguei até para o Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto e não consegui mais informações. Também já fiz pesquisas e o máximo que um bebê viveu foi pouco mais de 1 ano. Mas não encontrei muitos detalhes”, afirmou.
Cacilda Galante Ferreira, 36, mãe de Marcela, também está prestes a completar 30 dias dentro do hospital. Desde que a filha nasceu, ela ainda não foi para casa apesar de ter recebido alta no dia seguinte ao nascimento da criança. “Cacilda está ciente de que fez a coisa certa, já que é contra o aborto”, disse a médica, que todos os dias conversa com a mãe. “Ela sempre me diz: ‘estou vivendo um dia após o outro’ e continua com muita fé de que a filha vai melhorar ainda mais”, disse.
A mãe não quis dar entrevistas.
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