Com quase um mês de vida, a pequena Marcela já passou por quase tudo que um bebê normal passa. Viajou, mamou na mãe e até tomou banho de sol.
A pequena nasceu no dia 20 de novembro na Santa Casa de Patrocínio Paulista pesando 2,5 quilos e com 47 centímetros. A mãe, Cacilda Galante Ferreira, 36, já sabia que teria um bebê anencéfalo (sem cérebro, ela possui apenas um tronco cerebral); mesmo assim, decidiu levar a gravidez até o fim. A expectativa de vida de Marcela era incerta.
Analisando casos semelhantes, os médicos falavam em dois ou três dias de vida, no máximo. Marcela resistiu. Contrariou todas as possibilidades científicas. Com poucas horas de vida, até mamou na mãe.
No segundo dia, fez sua primeira viagem. Os médicos a trouxeram até a Santa Casa de Franca para uma tomografia. Os exames comprovaram que Marcela tem uma pequena quantidade de tecido cerebral, responsável por controlar importantes funções do organismo, como a respiração e o ritmo dos batimentos cardíacos.
De volta a Patrocínio Paulista, a pequena continuou mamando na mãe e até tomou banho de sol. Por volta dos 15 dias de vida, seu estado de saúde se agravou, teve convulsões e parou de mamar, passando a ser alimentada por uma sonda. Precisou ainda ser ligada a um aparelho de oxigênio para respirar. Seu estado começou a melhorar nesta última semana, quando a dependência do aparelho diminuiu e a quantidade de leite ingerida por meio da sonda aumentou. Até o início da tarde de ontem, o quadro de saúde de Marcela continuava estável.
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