População dá nota 5,44 à Câmara Municipal


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A atuação da Câmara Municipal em 2006 parece mesmo ter passado longe daquilo que a população espera. Pesquisa encomendada pelo Comércio da Franca e realizada pelo Instituto Datalink aponta que os francanos dão nota 5,44 para o Legislativo da cidade. Na mesma pesquisa, a população deu nota 6,85 para o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), quase um ponto e meio a mais que a Câmara. Se os vereadores fossem submetidos a um exame de final de ano, obteriam uma nota pouco acima da média cinco, cobrada nas escolas. As razões para a quase reprovação são muitas, mas praticamente todas elas esbarram numa premissa: os cidadãos não sentem os reflexos da atuação dos vereadores de maneira direta. Prova disso é o fato de 12% dos entrevistados terem afirmado que, simplesmente, não tomam conhecimento do que tem sido feito pelos vereadores. Essa foi a principal justificativa para os mais de 50% que consideraram regular a atuação da Câmara e deram notas entre 5 e 6 para os parlamentares. A pesquisa perguntou a cada cidadão a razão pela qual atribuía sua nota à Câmara. As explicações foram organizadas em três grupos - negativas, neutras e positivas - e revelaram dados curiosos (confira números detalhados no quadro acima). Mais de 17% das pessoas acusaram os vereadores de terem pouco interesse ou vontade de trabalhar pela cidade. “Eles empurram um para o outro e não fazem nada” e “eles são muito lentos” são algumas das frases contidas entre as explicações colhidas pela pesquisa. A falta de afinação entre a população e o Legislativo é tanta, que há quem cobre ou agradeça os vereadores por realizações que nada têm a ver com sua atividade. A condição das vias da cidade foi apontada pelos entrevistados, ora como ponto negativo, ora como ponto positivo, como justificativa para as notas. Na verdade, a manutenção do asfalto é obrigação da Prefeitura. Difícil imaginar, por exemplo, o presidente da Câmara em 2007, Joaquim Ribeiro (PSB), e o atual chefe do Legislativo, Marcelo Mambrini (PMN), trabalhando juntos para tapar buracos no asfalto da cidade. No máximo, o que os vereadores podem fazer é apresentar indicações pedindo a ação dos servidores municipais. Nada mais. Os projetos pouco relevantes de que as sessões da Câmara estão repletas desagradam à população. Entre outras coisas, os entrevistados disseram que os parlamentares “perdem tempo com bobagens”. Muitos títulos honoríficos, solenidades, projetos para nomes de rua e propostas que instituem, por exemplo, o Barbatimão como árvore-símbolo do município ou incluem uma copa de sinuca no calendário de eventos da cidade, não poderiam mesmo conquistar a atenção dos cidadãos. Os conflitos e bate-bocas entre os vereadores também são um ponto negativo entre as justificativas para a nota da população. “Imbecil”, “louco” “desequilibrado”, “asneira”. Esses são apenas alguns dos termos utilizados pelos vereadores em relação a seus colegas ao longo das sessões realizadas em 2006. Berros e socos na mesa também puderam ser presenciados por quem freqüenta o plenário do Legislativo de Franca. Os assuntos são, muitas vezes, tratados na filosofia do “pode vir quente que eu estou fervendo” na Câmara. Aliás, essa é uma das frases pouco amigáveis dita entre um e outro bate-boca entre vereadores neste ano. BOM TRABALHO Por outro lado, mais de 24% dos entrevistados pelo Comércio/Datalink disseram que o desempenho da Câmara tem sido bom e outros 2,5% o consideram ótimo. O problema é que meio por cento acredita que foram os vereadores que “trouxeram dois hipermercados para a cidade” e 0,25% dizem que eles “estão fazendo predinhos para a população” e “ajudando a manter os campos de futebol”. O difícil é imaginar os vereadores construindo apartamentos populares ou carpindo áreas de lazer nas regiões periféricas. A pesquisa entrevistou 400 pessoas, com 16 anos ou mais, entre os dias 16 e 21 de novembro de 2006.

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