Alegrai-vos: Ele vem!


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O Natal está chegando e a liturgia da Igreja vive o tempo “alegre” da vinda de Cristo. O Natal marca a presença de Deus em nosso meio. A celebração eucarística é o momento em que damos graças ao Pai, por meio de Jesus, no Espírito. A primeira leitura proclamada na missa é colhida do livro do profeta Sofonias. Exerceu sua atividade profética em Jerusalém no tempo do rei Josias, em que foi influenciado por ele a empreender a reforma político-religiosa. O trecho proclamado é uma mensagem de esperança dirigida à minoria que sobreviveu à catástrofe nacional. Os versículos do capítulo três estão repletos de otimismo, alegria e esperança. São um convite à festa, à dança, pois chegou o dia do casamento entre Deus e seu povo. O motivo de tanta alegria é este: “o Senhor é rei de Israel”. Ao povo massacrado o profeta faz um alegre anúncio: Javé reabilita os seus amados, liberta os cativos. Ele é o próprio líder deste povo e com eles celebra novamente a aliança, recomeçando a história a partir dos pobres e marginalizados. A segunda leitura é um trecho da carta de São Paulo aos Filipenses. A carta aos Filipenses é uma coleção de três bilhetes que Paulo escreveu a essa comunidade, em breve espaço de tempo. O texto contém algumas recomendações feitas em nome do Senhor. O apóstolo exorta os cristãos à alegria: “Como cristãos, alegrem-se sempre! Repito: Alegrem-se!” O Senhor está próximo. A alegria do cristão não é por qualquer coisa. O seu fundamento e objetivo é o “projeto de Deus”. O projeto divino é vivido na “paz”. A paz de Deus vai além de todo entendimento humano e guardará o coração daquele que confia no Senhor. Diálogo, união, equilíbrio, fraternidade e discernimento geram alegria e levam as comunidades e famílias ao crescimento contínuo. Já o evangelho escrito por São Lucas é um pequeno “programa de vida” para a comunidade cristã e é apresentado por João. Ele está no deserto, onde batiza com batismo de conversão os que vão a ele. Sua pregação não leva as pessoas a se fecharem em si mesmas ou em grupos. O “programa de vida” possui alguns requisitos básicos: o primeiro é a “partilha”. Distribuir aquilo que você possui sem apego. Não é para oferecer o que sobra, mas dar do que é seu. Outro requisito é a “justiça”. Com a situação dos cobradores de impostos que exploravam, João adverte: a justiça divina é diferente da humana. Zaqueu entendeu a justiça divina e por isso devolveu, aos que explorou, mais do que a justiça dos homens estipulava. Também é preciso acabar com “os abusos do poder”. Aos “homens da lei” João dá esta ordem: “Não tomem pela força o dinheiro de ninguém, nem façam acusações falsas: fiquem contentes com o vosso salário”. Os abusos de poder não levam a construir sociedade e histórias novas. O “programa de vida” é concluído na pessoa do Messias que é Jesus. É ele quem vai realizar com o povo que o segue a nova história e a nova sociedade. O nascimento do Deus pobre desmascara a sociedade que se regula pela ganância, injustiça e abuso do poder. Que esta palavra produza frutos em nós na preparação para o Santo Natal. PE. JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral Sé de Franca

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