A Santa Casa deu um ultimato: ou recebe R$ 800 mil mensais, além dos repasses feitos atualmente (cerca de R$ 2,1 milhões), ou cortará até 17 mil atendimentos mensais, aproximadamente 30% do total realizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A justificativa do hospital para tal decisão é que o déficit da instituição chegará a R$ 8 milhões em 2006 e, se não for combatido, obrigará a Santa Casa a fechar as portas nos próximos anos.
A receita extra cobrada deverá ser custeada em conjunto pelas 22 cidades da região que usam os serviços da Santa Casa. Franca ficaria com a maior parcela: R$ 640 mil. O restante (R$ 160 mil) seria repartido proporcionalmente entre os outros 21 municípios.
A proposta deve ser apresentada oficialmente aos prefeitos da região na próxima terça-feira em uma reunião que contará com a presença do promotor de Justiça e curador das fundações, Décio Piola. “Entendo a posição do hospital. Não se poderia produzir a menos do que é pago, mas atender somente pelo que recebe é direito da Santa Casa”, disse Piola.
O superintendente da instituição, Fernando Bueno, disse que, neste encontro de terça-feira, os prefeitos terão de responder se aceitam pagar mais ou não. “Não há mais o que esperar. A Santa Casa não operará mais no prejuízo e isto está decidido. Ou os municípios ajudam, ou só atenderemos pelo que recebemos”, disse Bueno.
Caso não haja acordo com os prefeitos, o hospital anunciou que colocará em prática um plano de corte gradual de até 30% nos atendimentos do SUS, que, ao final, significará 570 atendimentos a menos por dia. Bueno não disse a partir de quando essa redução passaria a valer.
Sobre o que acontecerá com os pacientes que eventualmente não forem atendidos, Bueno foi incisivo. “A diretoria da Santa Casa tem de cuidar do hospital. A saúde da população é obrigação do poder público”.
ANTENA EM PÉ
Se a Santa Casa, desta vez, cumprir a promessa e atender somente o que recebe, as cidades mais prejudicadas serão Franca, São Joaquim da Barra, Pedregulho, Restinga e Patrocínio Paulista.
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