Batatais foi a cidade escolhida pelo jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, 69, para se esconder da polícia. Ele, que já foi diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo, é foragido da Justiça. Pimenta Neves é condenado pelo assassinato da ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide, em agosto de 2000, em Ibiúna, interior de São Paulo - caso de grande repercussão nacional. O jornalista esteve na casa de uma prima batatense até a última quarta-feira, de acordo com informações da Polícia Civil.
Ontem, ciente do fato e com um mandado de prisão em mãos, o delegado do 1º Distrito Policial, Adolfo Domingos da Silva Júnior, foi até o local onde Pimenta Neves estava hospedado. “Recebemos a informações e fomos averiguar a casa onde ele teria estado”, disse.
A diligência foi feita por seis agentes da equipe do 1º DP, que realizaram uma busca completa na casa, localizada na região central da cidade, onde mora a prima de Neves, que é viúva de um ex-prefeito da cidade. “Nossa equipe foi muito bem recebida pela família, que confirmou que Pimenta Neves havia estado naquele local”, disse Silva Júnior.
Segundo o delegado, Pimenta Neves permaneceu por pelo menos três dias em Batatais. “Não se sabe ao certo se ele chegou no domingo ou na segunda-feira, mas teria deixado a cidade na quarta, quando soube da expedição do pedido de prisão”. O jornalista teria dito para a família que iria para São Paulo se entregar.
O mandado de prisão contra Pimenta Neves foi expedido na noite de quarta-feira. Pouco depois, policiais do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) estiveram no único endereço fornecido por ele à Justiça, na zona sul de São Paulo, e não o localizaram. Ele, então, passou a ser considerado foragido.
À reportagem do Comércio, a família disse que Neves passou apenas algumas horas na cidade. “Ele passou aqui para tomar um café à tarde (...) Acho que na quarta-feira”, disse uma prima que preferiu não ter seu nome divulgado e não soube precisar o horário em que o jornalista chegou e saiu de sua casa. Uma irmã dela confirma a informação. “Ele só veio ver a minha mãe, que é prima dele e está meio adoentada, só isso. Não dormiu aqui nenhum dia”, disse.
Segundo ela, nos encontros esporádicos da família os temas “crime e assassinato” não são sequer mencionados. “Ele não fala absolutamente nada sobre o assunto e nós também preferimos não falar. Falamos da família, da infância, conversamos de tudo, menos isso”, disse.
Silva Júnior informou que a polícia de Batatais está com três equipes envolvidas na busca por Pimenta Neves. “Estamos com uma equipe da delegacia do município, cedida pelo Dr. Andreotti, e duas do 1º DP”. O delegado informou ainda que solicitou apoio das cidades da região para tentar localizar o jornalista. Na noite de ontem, ele entrou para o rol de procurados do site da Polícia Civil de São Paulo.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.