São grandes as chances da região ganhar seu segundo assentamento de sem-terra depois de dez anos. A possibilidade da Fazenda Santa Cruz em Cristais Paulista entrar para a reforma agrária chega a 80%. A informação foi passada pelo assessor do superintendente regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Antônio Storel, que esteve ontem na propriedade para conversar com os militantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra). As negociações para a compra das terras, que começaram há seis meses, estão bastante adiantadas e, na próxima semana, o Incra fará a contraproposta aos proprietários da área.
Storel disse que a família está interessada em vender a fazenda. “Na primeira vez, as negociações não avançaram em razão do valor calculado pela propriedade, que não agradou a família. Fizemos uma nova avaliação da propriedade e chegamos a um valor mais alto. O Incra de Brasília aprovou o pagamento deste montante. Acredito que, agora, chegaremos a um acordo”, disse o assessor, sem revelar quanto o Incra pretende pagar pela fazenda. Se fecharem o acordo, em no máximo três meses a propriedade deixa de ser um acampamento de sem-terra para se transformar em um assentamento. O pagamento das benfeitorias (construções e plantações) é feito à vista e o restante (terra) é dividido em quatro parcelas anuais.
A Fazenda Santa Cruz tem 1200 hectares e abriga, desde setembro, um acampamento com 170 famílias. Se o acordo for fechado, começará uma nova disputa entre os sem-terra. Antônio Storel disse que a fazenda poderá abrigar no máximo 136 famílias, levando em consideração o tamanho da propriedade. “O fato de uma pessoa estar há um ano embaixo de um barraco não significa que ela conseguirá o lote. É preciso preencher alguns requisitos impostos pelo Incra”, afirmou Storel. Para entrar na lista de contemplados com “um pedaço de terra”, o candidato não poderá ter outra propriedade, casa própria ou ser comerciante e precisa ainda ter “talento” para lidar com agricultura.
O primeiro assentamento de sem-terra na região ocorreu em 1997, quando a Fazenda Boa Sorte, em Restinga, foi destinada à reforma agrária pelo Incra.
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