A aventura do amigo secreto


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Todo fim de ano é a mesma coisa. Quando chega o 13º e a gente finalmente acha que vai dar para fazer alguma coisa além de pagar as contas que não param de chegar implacavelmente, aparecem aqueles compromissos que nos tomam boa parte da grana. Roupa nova para a formatura de algum parente, um monte de impostos e, para acabar de “ferrar”, a brincadeira de amigo-secreto. Amigo-secreto, invisível ou oculto, a brincadeira é tradicional nas festas dessa época. É um meio de aproximar as pessoas, trazer um clima de lazer e descontração entre familiares, colegas de trabalho ou amigos, mas indubitavelmente significa um gasto extra e o risco de ganhar um presentinho nada a ver. Não são raros os casos em que alguém dá um DVD ou um livro suuuuper legal que custou os olhos da cara e recebe uma camiseta gola pólo verde-água, um porta-retrato ou um par de meias. A forma tradicional do amigo-secreto é bem simples: basta o participante escrever seu nome em um pedaço de papel e colocá-lo em uma caixa junto ao nome dos outros jogadores. Em seguida, cada um retira um dos nomes e o sorteado será seu amigo-secreto. Na data marcada, trocam-se presentes. Claro, não podemos esquecer da hora em que se descreve a pessoa e todos tentam adivinhar quem é. Há alguns grupos que preferem fazer o “inimigo-oculto”, no qual trocam-se presentes diferentes e engraçados, “sacaneando” o sorteado - esse aí, está mais para “amigo-da-onça!”. Essa é uma boa alternativa, pois já sabendo que vai ser uma “zoeira”, ninguém se frustra ao receber seu presente. Muitas empresas costumam realizar seus amigos-secretos em uma grande festa de final de ano. A joalheria Lapidin, por exemplo, realizou o seu nesta semana, na própria loja. “O preço mínimo do presente foi de R$ 50, pois menos que isso não dá para comprar um bom presente” disse a analista de crédito da empresa, Elizabete Barbosa de Andrade, 43. Segundo ela, que deu uma camisa e ganhou um sapato, todos ficaram satisfeitos com a brincadeira. Com um valor tão alto como o estipulado pela turma da joalheria, fica mais fácil gostar de seu presente. Dificilmente um presente de 50 pratas será ruim. Nesse caso, o problema é na hora de botar a mão no bolso para tirar tanto dinheiro para comprar alguma coisa para alguém que, às vezes, nem é tão querida assim. Há outras maneiras melhores de se evitar o desgosto do que estipular um preço alto. A melhor delas é conscientizar a todos de que é preciso ter um mínimo de consideração com o amigo-invisível, descobrir do que ele gosta, que música ou roupa ele curte. Outra maneira é se conformar com a realidade de que dificilmente seu presente será legal e aproveitar com bom humor a brincadeira em si, se divertindo com as adivinhações e com a companhia dos amigos. Enfim, não valorizando apenas os bens materiais. Sabe aquele papinho de “espírito natalino”? OLHA A GAFE! Amigo-secreto, principalmente entre colegas de trabalho, é divertido, mas é uma perigosa oportunidade de se cometer gafes. A situação se agrava se o patrão estiver presente, pior ainda se ele foi seu sorteado. Se isso ocorrer, não faça piadinhas de mau gosto na hora de descrevê-lo, nem na escolha do presente (de chefe, só se fala mal pelas costas). É bom também tomar cuidado com o exagero de bebida. O álcool pode levar a pessoa a fazer coisas absurdas, como chavecar uma colega feia, falar bobagem ou cair na piscina. Você pode não se lembrar de nada depois, mas seus amigos jamais se esquecerão. Agora, a regra de ouro: você pode odiar o presente, mas lembre-se que seu colega pode ter tido um trabalhão para escolhê-lo na esperança de te agradar. Sorria, e diga alguma coisa do tipo “Que lindo! Você adivinhou. Estava mesmo precisando de um pingüim de geladeira”.

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