O setor calçadista, responsável por 36,5% dos empregos formais da cidade, vai parar. A partir da próxima semana, as fábricas começam a paralisar suas linhas de produção para o recesso de final de ano. Com isso, segundo os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), cerca de 28 mil trabalhadores deverão entrar em férias. Muitos deles, porém, serão demitidos para serem recontratados no início de 2007, prática usual do setor calçadista.
Em um levantamento informal do Comércio, apurou-se que boa parte das indústrias deverá permanecer sem atividades por, pelo menos, duas semanas. É o caso da Calçados Sândalo, que dará descanso para seus 400 funcionários entre os dias 22 de dezembro e 5 de janeiro. O gerente comercial, Théti Brigagão, disse que a empresa tem 24 mil pares de sapatos para entregar no início do ano e que não dá para estender o período de descanso. “Além desse montante, que é para exportação, há mais de dez mil pares para mercado interno. Haverá descanso, mas sem perder de vista o foco de produção”, disse.
A Calçados Fio Terra dará folga aos 212 funcionários no mesmo período que a Sândalo. O proprietário, José Feliciano, disse que não poderá prolongar o descanso, pois tem 20 mil pares encomendados para o início de 2007. “Pararemos por 15 dias, pois temos de produzir e entregar estes pedidos entre janeiro e fevereiro”, disse.
Por outro lado, há quem não tenha tanta pressa para retornar do período de descanso, como no caso da Calçados Francajel. A previsão do Departamento de Recursos Humanos da empresa é de entrar em férias na próxima quinta-feira e só retornar em 22 de janeiro. “Somente alguns empregados voltarão antes para atender às necessidades da Couromoda”, disse Archemenides Marcos da Silva Júnior, responsável de RH.
Há, ainda, quem não parará. Principalmente as fábricas com produção voltada para a exportação, como Mariner e Agabê. Nessas empresas, haverá folga somente nos dias de Natal e Ano Novo e em suas respectivas vésperas.
LAMENTO
O presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca), Jorge Donadelli, fez ontem, durante um almoço de confraternização com jornalistas, um balanço negativo da indústria calçadista na cidade em 2006. Entre os dados mais preocupantes, apontou para quedas no número de pares exportados em relação ao ano anterior, de 7,1 milhões para 5,5 milhões (23,3% a menos) e no número de empregados do setor, de 29,1 mil para 26,1 mil (número divergente ao do Caged). “Este ano, infelizmente, não foi um dos melhores. Franca foi quem mais sofreu, pois exporta mais que os outros (pólos calçadistas). Mas penso que daqui para os próximos dois anos a situação melhorará”, disse.
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