Pesca Urbana


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a água acumulada no subsolo formou um “piscinão” com 3 metros de profundidade
a água acumulada no subsolo formou um “piscinão” com 3 metros de profundidade
Lama, lixo, mato alto, mau cheiro, muitas ferragens com pontas expostas e, como se não bastasse, um “piscinão” com mais de três metros de profundidade repleto de peixes. Tudo isso em plena região central, na Avenida Major Nicácio, Bairro São José, próximo ao posto que leva o nome da movimentada avenida. O que era para ser um edifício de 14 andares, com 28 apartamentos, se transformou em perigo para a vizinhança, que tem de conviver com transtorno que a presença de usuários de drogas e o mau cheiro representam. A situação já havia sido divulgada pelo Comércio há quatro anos. De lá para cá, nenhuma atitude foi tomada pela Prefeitura nem pelos proprietários. A construção está abandonada há pelo menos cinco anos, mas seu estado de deterioração se agravou nos últimos dois, quando a Habitat Empreendimentos, responsável pelas obras, deixou de fazer a manutenção da área e bombear a água de uma mina no local. Como a água ficou represada no subsolo, o espaço onde seria a garagem do edifício se transformou num verdadeiro piscinão e algumas pessoas passaram a criar peixes, o que tem atraído “turistas”. “Na terça-feira tinha uma família inteira, inclusive com crianças, pescando ali”, disse a farmacêutica LF, 37, que tem um comércio próximo ao local. LF apontou ainda um outro problema: a sujeira que escorre pela avenida. “Quando chove, a calçada fica suja de lama e, às vezes, até mesmo os peixes escorregam pela rua.” [FOTO2] As inúmeras ferragens no local e a profundidade da “piscina”, que não tem nenhuma proteção, também é motivo de preocupação para a vizinhança. “Imagine se alguma criança que brinca ali se machuca nos ferros ou cai nessa água? Vai ser uma tragédia”, disse o serralheiro Luiz Batista. Procurado pelo Comércio, o chefe da Divisão de Fiscalização da Prefeitura, Air Fontanesi, disse que a imobiliária responsável pela obra já foi notificada e intimada a apresentar uma solução em quinze dias. Quanto aos peixes no local, ele ressalta que foi uma alternativa encontrada pelos próprios moradores da região para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue. Em que pese recente notificação enviada pela fiscalização à imobiliária, lixo e mato se alastram pelo local. “Vamos aguardar o prazo estipulado para que a imobiliária tome providências. Se nada for feito, temos outros meios, inclusive, com multas e encaminhamento à Justiça”, enfatiza Fontanesi. PROBLEMA ANTIGO As situações de risco encontradas ontem pela reportagem do Comércio não são recentes. Em matéria veiculada pelo jornal no dia 29 de janeiro de 2002, o repórter Edson Arantes já alertava as autoridades para os problemas. Na época, a Prefeitura havia se comprometido a resolver a situação, fato esse que não ocorreu. Quatro anos depois, a novidade fica por conta de que o local se transformou em perigosa área de lazer com a criação de peixes.

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