“É com muita esperança que escrevemos esta carta. Meu nome é Jamilton, tenho 43 anos, sou aposentado por problemas de saúde, ganho R$ 350, tenho quatro filhos e passamos muito aperto aqui em casa. O salário só dá para água, luz e comer”. Assim o coletor de lixo aposentado, Jamilton Rodrigues Ramos, 43, começa a mensagem endereçada ao Papai Noel.
Depois de muita insistência do filho João Vítor, 10, o pai resolveu pedir presentes e uma ceia para o Natal. “Meus meninos vão ficar numa alegria danada se ganharem as coisas”. Ele mora com a mulher, a recepcionista desempregada Fátima Ramos, 32, e quatro filhos: João Vítor, Paulo Henrique, 7, Mateus, 5, e Kawan, 3, nos predinhos do City Petrópolis. Na casa deles, a árvore de Natal está montada com festão dourado e alguns sinos e bolas, mas com os pés vazios.
O orçamento da família é apertado. Os pais sonham em realizar os desejos das crianças. “Nossa vontade era ganhar roupinhas novas para eles, os ‘brinquedos’ (videogame, caminhão e celular) que pedem e alimentos diferentes para a ceia: doces, balas, panetone...”, disse a mãe.
Jamilton recebe R$ 350 por mês. Ele e a mulher fazem bicos com entrega de folhetos e costura de porta-CDs para ampliar a renda, mas pouco conseguem. “Tiramos mais uns R$ 150, mas é insuficiente para comprar outras coisas além dos alimentos e pagamento das contas. É difícil, para conseguir R$ 6 preciso montar mil capinhas de CD. Meu marido entrega panfletos, mas é complicado porque ele tem problemas de visão e não enxerga direito. São quatro crianças para cuidar.” A família mora na Rua A, número 1351, apartamento 22, Bloco 2D, City Petrópolis.
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