Se você quer ter uma obra de arte mas está sem dinheiro, pode fazer como a atriz Rita de Cássia Lemes Cáceres, que trocou um violão que tinha em casa por um quadro. Ela participou da exposição “Catira”, que fica em cartaz no Centro Cultural Cangoma até sexta-feira. São dez artistas de Franca que estão dispostos a trocar suas telas e pinturas por cursos, roupas, eletrodomésticos, móveis, serviços, entre outras coisas. É só apresentar a proposta e ser o mais novo “proprietário” de uma obra de arte. Quem preferir pagar pelo quadro, os preços de alguns, para venda à vista e em dinheiro, saem com descontos superiores a 50%. Entre as obras disponíveis para compra e troca há telas em óleo sobre tela, aquarelas, pintura em madeira, desenhos, quadros feitos com material de sola de sapato, etc.
A iniciativa dessa exposição foi da artista plástica Edina Síkora, que ouviu um amigo dizer que trocou um tratamento dentário por um quadro e achou interessante levar isso para uma exposição, como forma de aproximar o artista do público. Ela também quer fazer as pessoas verem que as obras de arte podem ser acessíveis e que os artistas não são pessoas que “vivem em outro mundo”. “A gente paga conta, vai no supermercado e precisa comer como todo mundo. A vida da maioria dos artistas não é como mostra a novela Páginas da Vida com a personagem Tônia (Sônia Braga). Eu até mandei uma carta para a Globo dizendo que sou artista e que as coisas não funcionam bem daquele jeito”, dispara. Segundo ela, muita gente acha que os artistas vivem em um mundo de glamour. “É muito difícil vender uma obra. Eu já faço trocas com muitos de meus quadros no dia-a-dia. Então, resolvi chamar uns amigos e trazer isso para uma exposição”, disse. Os amigos participantes são os artistas Dalva Junqueira, Adnir de Matos, Gilda Chagas, Jeanne D’Arc, Clécio Teline, Lu Matos, Sandra Souza, Lucas Souza e Rengaw. “Aceitei participar porque achei uma iniciativa muito diferente, que vai abrir portas para quem não tem dinheiro poder ter uma obra de arte em casa”, disse Lu Matos.
Até agora, alguns trabalhos já foram trocadas por curso de espanhol, vestido e violão. Há também algumas propostas em andamento. “Percebi que muita gente tinha vergonha de fazer sua proposta. Mas depois que viram que é possível, ficou bem melhor”, diz Edina. A atriz Rita de Cássia, que trocou um violão por um quadro, diz ter adorado a iniciativa. “É muito diferente.
Nunca tinha visto isso em Franca antes. Achei bom porque facilita bastante para a gente, que quer ter um quadro mas nem sempre tem como pagar por isso”, diz. O título da exposição, “Catira”, não foi escolhido aleatoriamente. É uma referência à dança típica da nossa região. No passado, quando a população rural dançava a catira, sempre havia trocas entre eles, principalmente de animais e alimentos. Assim, os encontros de Catira se tornaram um grande evento e Edina resolveu recuperar o nome e aliar uma exposição de arte a algo bem próximo da cidade.
O Centro Cultural Cangoma fica na rua Presidente Kennedy, 1477. Tel: 3721-5460. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 10 às 12 horas e das 14 às 18 horas e aos sábados, das 14 às 18 horas.
Informações também podem ser obtidas na AFA (Associação Francana dos Artistas) pelo telefone 3720-5383 ou 3723-6881.
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