A entrevista de Valéria Marson


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Atribuir todos os males do mundo às administrações anteriores é prática comum na política brasileira. Porém, só a má-fé e o oportunismo político explicam a senhora secretária Valéria Marson atribuir a um pretensa falta de trabalho preventivo e de investimentos em canais nos últimos oito anos, a destruição atual. Como empreiteira de obras nas décadas de 80 e 90, ela sabe bem que a Prefeitura tem reconstruído sistematicamente canais nos córregos, em vários governos. Como servidora de confiança do governo Gilmar que foi, também sabe disso. O governo Gilmar, contrariamente ao que ela afirma, refez quase um quilômetro do canal do Bagres, entre a Voluntários e a Simão Caleiro. Basta ver os jornais da época. Em 31 de dezembro de 2004, não havia nenhum trecho das avenidas marginais interrompido por quedas de canais, boa parte construídos nas décadas de 60 e 70, com pedras brutas que não suportam o aumento do volume de água a cada ano. O Plano de Macrodrenagem, contratado pelo governo Gilmar junto à USP, aponta a necessidade de substituir dezenas de pontes e quase 10 quilômetros de canais, além de criar piscinões, para reduzir os problemas de enchentes. Como a própria secretária reconhece, somente com recursos externos será possível fazer isso. O resto é má-fé e oportunismo para agradar o novo chefe. Mauro Ferreira é arquiteto e leitor do Comércio da Franca

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