A dona de casa Geise Dark Jardim Machado, 24, chegou à Santa Casa às 8h45 de sábado para dar à luz. Com fortes contrações e 38 semanas de gestação, foi internada, mas seu parto só foi realizado mais de 16 horas depois, na madrugada de domingo. Três médicos acompanharam Geise o tempo todo, realizaram os procedimentos de rotina e optaram por não realizar a cesariana.
Procurados pela reportagem, disseram que não existiu nenhum tipo de “descuido” e que a morte do bebê foi uma fatalidade.
Quando foi feita a cirurgia, à uma hora da madrugada de domingo, o menino, Rafael Henrique Machado, nasceu com problemas de saúde e morreu, instantes depois. A família culpa os médicos pela demora, registrou um Boletim de Ocorrência e afirma que vai processar os profissionais. Apesar de garantir que todos os procedimentos realizados estavam corretos, a Santa Casa abrirá sindicância para apurar os detalhes do que aconteceu.
Segundo o sogro de Geise, o lavrador José Batista Machado, 52, ela chegou ao hospital, no sábado de manhã, com fortes contrações abdominais. Foi atendida por um obstetra no pronto-socorro da Santa Casa, que encaminhou Geise para internação. Já na maternidade, Geise passou a ser acompanhada pelo médico Paulo Jorge Abraão. Até o final de seu plantão, às 19 horas, entendeu que não deveria encaminhá-la para o Centro Cirúrgico. “Examinei-a a todo instante, não houve qualquer tipo de descuido. Quando passei o plantão ela apresentava seis centímetros de dilatação, sendo que o ideal para um parto normal é dez, e o quadro de saúde dela e do bebê eram bons”, disse Abraão.
O terceiro obstetra a atender Geise foi Sélvio Ricardo Simão. O acompanhamento continuou por mais sete horas. Por volta de uma da madrugada de domingo, 16 horas após a internação, Geise foi submetida à cesariana. A criança, porém, não estava bem e morreu instantes depois. O médico disse que não houve nada de anormal no procedimento. “Quando percebi que havia parado a evolução de parto, indiquei a cesariana. Mas, assim que abri o útero, vi que havia a presença de mecônio (muco, pêlos e resíduos de pele), no líquido amniótico, e que o bebê o aspirou para os pulmões”, disse. “Gostaria que a criança estivesse bem, com a família, mas infelizmente têm situações que fogem do alcance do médico”.
Para o avô da criança, ainda abalado com a perda, nenhuma justificativa é suficiente e a revolta continua. “Se tivessem atendido minha nora direito, nada disso teria acontecido. Tem médico na Santa Casa que deveria cuidar era de cachorros”, disse Machado. “Vamos processar a todos eles para ver se tiram alguma lição de nosso sofrimento” , disse Machado.
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